Considerando as características técnicas e construtivas presentes, esta ponte deverá datar dos séculos XVII-XVIII, sendo certo que já existia em 1758, pois é referenciada nas Memórias Paroquiais. A ponte é utilizada para assegurar a travessia do rio Sousa entre os lugares de Vilela, a Oeste de Caíde de Rei, e os lugares de Vilar de Nuste e de Cartão.
O principal meio de transporte, na época medieval, é o carro puxado por bois. A existência de vias de comunicação e o desenvolvimento de meios de locomoção permitiram a construção de magníficos edifícios românicos, bem como a partilha das equipas de construtores e potenciou as influências estilísticas. Como refere Carlos Almeida, as estradas e os caminhos são como “veias de um corpo”, por onde “as comunidades organizam a ocupação e usufruição do seu território, o qual reflecte o nível da sua vida social e da sua economia”. Neste contexto de mobilidade, a construção de pontes surge naturalmente, logrando um amplo desenvolvimento no período medieval, que lhes dedicou um alargado interesse. A história da construção de pontes, desde os finais do século XI até ao século XIV, revela que estes eram actos de piedade, com reis, eclesiásticos e nobres a legarem, nos seus testamentos, donativos para que se erguessem pontes. São estes actos que possibilitam a construção efervescente de pontes na época medieval.
As pontes medievais procuram bons alicerces e sítios firmes para se erguerem, conforme afirma Almeida. Daí resistirem melhor ao tempo e às cheias. As obras, executadas a partir de donativos dispersos, eram organizadas através de uma espécie de confraria, a obra da ponte, que procurava reunir os fundos necessários. Muitos destes responsáveis acabaram santificados, fruto da natureza piedosa da construção de pontes.