Informação Geral
Capela da Senhora da Livração de Fandinhães  
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  • Nome: Capela da Senhora da Livração de Fandinhães
  • Tipologia: Capela/Ermida
  • Classificação: Monumento de Interesse Público, pela Portaria n.º 660/2012, DR, 2.ª série, n.º 215, de 7 de novembro de 2012
  • Concelho: Marco de Canaveses
  • Horário da Visita: Por marcação   
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488   
  • Fax: 255 810 709   
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt   
  • Web: www.rotadoromanico.com   
  • Localização:
    Rua da Nossa Senhora da Livração, freguesia de Penha Longa e Paços de Gaiolo, concelho do Marco de Canaveses, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Saia para o Marco de Canaveses e siga depois no sentido de Cinfães até encontrar a sinalização da Rota do Românico / Capela de Fandinhães.

     

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real). Saia para o Marco de Canaveses e rume depois no sentido de Cinfães até à Capela de Fandinhães.

     

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP (Vila Real). Escolha depois a A4 (Vila Real) e saia para o Marco de Canaveses. Siga na direção de Cinfães até Fandinhães.

     

    Se já se encontra na cidade do Marco de Canaveses, siga na direção de Tongobriga / Cinfães até à Capela de Fandinhães, seguindo a sinalização da Rota do Românico.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 6' 22.95" N / 8° 7' 45.93" O 
História
História
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Capela de Fandinhães (Fotografia: © SIPA – IHRU)Conhecida popularmente como Capela de Fandinhães, este imóvel começou por ser igreja própria da estirpe de um arquidiácono de Viseu, cuja linhagem, em 1258, detinha o padroado.  Todavia, desta primitiva igreja apenas resta hoje a capela-mor.

A evolução das paróquias terá sido, aparentemente, a principal razão para o seu estado atual: esta localizava-se na pequena paróquia de Fonte de Cova, com os lugares de Fandinhães, Ambrões, Mourilhermo e Paços de Gaiolo.

Sucede que o lugar de Fandinhães situa-se numa serra, a 500 metros de altitude, e o crescimento demográfico no lugar de Paços de Gaiolo, disposto num local mais ameno e central, e o aparecimento aqui da Ermida de São Clemente poderão ter provocado a perda de importância de Fonte de Cova a favor de Paços de Gaiolo.

Embora alguns autores citem 1873 como o ano do desmantelamento da nave da igreja, ocorre que já em 1864 ela se encontrava mutilada e a estrutura excedente (capela-mor) em estado degradado.

Estando em ruína, procedeu-se ao seu desmantelamento e ao reaproveitamento da pedra para ampliar a atual igreja paroquial da freguesia. Contudo existe a perceção, em vários investigadores, que a igreja edificada durante a época românica não teria sido concluída totalmente.

Como uma das possíveis causas para o seu não acabamento pode ser referido o anteriormente descrito: os aldeamentos de maior altitude, como Fandinhães, terão começado a perder interesse a partir dos tempos românicos, a favor de outros em locais de baixa altitude, perto de cursos de água, fomentando a deslocação das populações para estes locais e, neste caso particular, para Paços de Gaiolo. No entanto, ainda não existem dados concretos que sustentem esta tese.
Personalidades Históricas
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D. Geraldo Domingues
Era filho de Estevão Domingues e nasceu em 1285. Foi deão da Sé de Braga (entre 1295 e 1298), bispo do Porto (1300 - 1308), de Palencia (1308 - 1313) e de Évora (entre 1313 - 1321).

Quando era prelado no Porto, os nobres e o povo de São Martinho de Fandinhães (anexa a Paços de Gaiolo, no Marco de Canaveses) doaram, a 1 de julho de 1302, o padroado da sua Igreja a D. Geraldo e seus sucessores.

A 11 de julho do mesmo ano, o referido prelado permutou Soalhães e Mesquinhata por São Nicolau da Feira e Alvarelhos, que o rei tinha doado a João Martins de Soalhães.

Em 1308 renunciou à Diocese do Porto para acompanhar D. Constança (1290-1313), filha de D. Dinis (1261-1325), quando esta foi casar com D. Fernando IV (1285-1312) de Castela.

D. Geraldo Domingues ficou a residir no reino vizinho e responsável pela governação da diocese de Palencia. Em 1313 regressou ao reino para ser nomeado, em abril desse ano, bispo de Évora.

Foi assassinado nesta cidade por apoiantes do infante Afonso IV (1291-1357), em 5 de maio de 1321, em virtude de o prelado ser um dos apoiantes do rei D. Dinis.
Cronologia
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1258 - Fandinhães era igreja do padroado dos descendentes de um arquidiácono de Viseu;

Século XIII (2.ª metade) - Edificação da igreja de Fandinhães tendo em conta os vestígios românicos remanescentes;

1302 - Os familiares e padroeiros da igreja de São Martinho doam o direito de padroado ao bispo do Porto, D. Geraldo Domingues (1300-1308);

Século XVI (inícios) - Execução dos azulejos mudéjares do frontal de altar do retábulo-mor;

1690 - Documenta-se a Ermida de São Clemente em Paços de Gaiolo;

1758 - A população da freguesia de Paços de Gaiolo já se concentrava na sua maioria nas vertentes sul e oeste do braço da serra de Montedeiras;
          - O padroado de Fandinhães estava nas mãos dos Almirantes do Reino;
          - A igreja de Fandinhães ainda é referida como de São Martinho;

Finais do século XVIII - São Clemente e São Martinho constituem já uma única freguesia;

1864 - A nave da igreja já fora desmantelada;

1912 - O acervo e Capela de Fandinhães foram entregues à República Portuguesa;

1924 - A corporação encarregue do culto católico requisitou a Capela ao Estado;

2010 - Integração da Capela da Senhora da Livração de Fandinhães na Rota do Românico;

2012 - A Capela de Fandinhães é classificada como Monumento de Interesse Público;

2015- Realização de sondagens arqueológicas no adro da Capela, no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Implantada a 500 metros de altitude e orientada canonicamente, da primitiva igreja paroquial apenas resta a capela-mor. Esta seria originalmente constituída, para além da abside retangular, por uma nave única desmantelada no século XIX. Com este desmantelamento, foi a abside adaptada a Capela através do encerramento do arco cruzeiro com uma porta, transformando-o assim em entrada principal.

No atual adro da igreja encontramos dois silhares que, pelas formas que ainda ostentam, dariam corpo a uma cornija sobre arquinhos.

Do lado esquerdo do observador - que correspondia ao lado do Evangelho do arco triunfal - um capitel representa o tema das serpentes, cuja cabeça, única, surge na esquina do capitel.

Já do lado da Epístola, surgem representadas duas figuras-atlantes de aresta que se apoiam em folhas salientes.

A existência de toros diédricos nas frestas da antiga abside demonstra-nos a viagem de formas e de artistas que caracterizou a Idade Média e em particular o românico.

Ainda nas frestas destacamos capitéis ricamente ornamentados, ora ostentando uma figura humana e vegetalista ou animalista, notando-se a influência do românico portuense e bracarense respetivamente.

Ao nível dos cachorros, a maioria apresenta-se lisos, indicando uma cronologia tardia. Porém, no lado norte, alguns deles ostentam ornamentação geométrica ou humana, enquanto nos do lado oposto, a temática humana é também usada.

No espaço que pertencera à nave, duas lajes identificam duas sepulturas: a de maior dimensão tem gravada uma espada, bastante estereotipada (lâmina, guarda reta e punho), enquanto na outra laje, mais pequena, foi desenhada uma simples cruz.

No interior da Capela, a parede fundeira é ocupada pelo retábulo-mor, em talha dourada sobre fundo branco, organizado em três painéis definidos por colunas torsas.

Em cada um dos painéis temos a imagem de Nossa Senhora da Livração, ao centro, ladeada por São Brás, à esquerda, e por São Martinho, à direita.

A julgar pelos vestígios remanescentes, esta igreja de Fandinhães seria, certamente, um edifício bastante elaborado, sendo agora, um imóvel digno de se visitar pela sua peculiaridade e originalidade que apresenta.
Arqueologia
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Sondagens arqueológicas no adro da Capela de Fandinhães.Em 2015, foram realizadas sondagens arqueológicas, pela Escola Profissional de Arqueologia (do Freixo, Marco de Canaveses), no adro da Capela de Fandinhães.

Os trabalhos de arqueologia em causa visavam primordialmente a obtenção de informações arqueológicas que fornecessem dados suplementares para o debate historiográfico acerca da configuração primitiva do templo.

Concretamente, pretendia-se averiguar acerca da existência ou não dos alicerces da nave, atualmente apenas adivinhado pelas ruínas das suas paredes adjacentes à capela-mor.

A intervenção arqueológica permitiu observar uma estratificação medieval preservada sob um conjunto de intervenções antrópicas muito significativas ao longo do tempo, que testemunham a dinâmica evolutiva histórica da envolvente da Capela entre as épocas medieval e moderna, mas que também terão sido responsáveis pela ablação de níveis importantes da estratificação e, inclusivamente, pelo agravamento da ruína da nave.

Do conjunto estratigráfico destacamos a identificação:
(1) de um conjunto de aterros recentes que testemunham a evolução em época contemporânea do local, designadamente da reconfiguração da ampla plataforma nivelada defronte da capela-mor;

(2) de um conjunto de infraestruturas recentes relacionadas com a iluminação pública do local;

(3) de uma necrópole utilizada em época moderna e medieval relacionada com a Igreja de Fandinhães e que ocupa o interior da nave e áreas exteriores adjacentes à nave e capela-mor;

(4) dos alicerces das paredes norte e sul da nave, na continuação do atualmente visível à superfície;

(5) de um embasamento pétreo com recurso a calhaus e blocos de granito e seixos de quartzito para criação de área nivelada para implantação do templo.

Quanto ao espólio, durante os trabalhos arqueológicos foram identificados sobretudo fragmentos de cerâmica de construção, designadamente fragmentos de telha canuda.

Nos níveis mais recentes, remexidos, foram recuperados fragmentos de azulejos de tipo hispano-árabe semelhantes aos utilizados no altar da capela-mor.

Foram ainda identificados fragmentos de faianças dos séculos XVII e XVIII e, nos níveis mais antigos, cerâmicas medievais de pasta cinzenta e decoração plástica ou incisa.

Recuperaram-se, em posição secundária, cinco moedas (ceitis) e uma medalha religiosa, tipologicamente enquadrável no século XVI, com a representação de São Paulo e de São Bento.

Recuperação e Valorização
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O seu valor arquitetónico e as vicissitudes históricas foram motivos suficientes para se proceder em 9 de maio de 2003 à abertura de procedimento para a classificação da Capela, tendo sido publicado, a 28 de março de 2012, o projeto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público e à fixação da respetiva zona especial de proteção.

Galeria
  • +Capela de Fandinhães. Fresta.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada lateral sul. Pormenor do cachorro.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada ocidental. Portal.

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  • +Capela da Senhora da Livração de Fandinhães [s.d.] (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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  • +Capela de Fandinhães. Retábulo-mor.

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  • +Capela de Fandinhães. Capitel.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada ocidental. Portal. Pormenor dos capitéis.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada ocidental. Portal. Pormenor das impostas.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada lateral sul. Pormenor do cachorro.

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  • +Capela de Fandinhães. Fachada lateral sul. Fresta.

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  • +Capela de Fandinhães. Vista geral.

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  • +Capela de Fandinhães. Adro. Silhares.

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Saber mais
Bibliografia
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