A tomada do Castelo de Arnoia
A lenda da tomada do Castelo de Arnoia conta-nos que durante algum tempo os Mouros aqui mandaram, tendo durante dias e noites a fio obrigado os Cristãos a carregar pedras para o Castelo.
Pouco a pouco, o descontentamento e a fúria inspiraram-nos à luta contra quem os obrigava a tão agreste tarefa. Porém, eram poucos e mal armados. Até que num final de tarde, juntando todo o gado disponível nas imediações e colocando badalos nos pescoços dos animais e archotes acesos nos cornos das cabras e dos bois, encaminharam-se para o Castelo.
À sua volta, ao longo da muralha e do alto da torre, os Mouros viram apenas luzes. Multiplicavam-se e, ao mesmo tempo, ouviam um barulho atroador. À distância e a coberto da noite já feita, toda esta aparência acabou por iludir os invasores, que julgaram tratar-se de um grande exército. A opção foi fugir e adiar o confronto. Remata a lenda que deixaram muitos tesouros enterrados.
Justiça popular na Vila de Basto
Na Vila de Basto moravam duas irmãs, padeiras e muito bonitas. A mais nova tinha o nome de Aldonça, com cerca de dezoito anos, solteira e prometida a Sancho Meleiro, um bom homem e comerciante de cereais.
Definido que estava o casamento, era necessário pagar o tributo que tinha substituído o direito dos senhores da terra poderem “usufruir” da noiva antes do marido.
Quando Sancho e Aldonça se deslocaram ao Castelo para pagarem o tributo, o alcaide sentiu-se atraído pela beleza de Aldonça e recusou receber o tributo pago daquela forma e exigiu “usufruir” da noiva. Esta, indignada, lançou-lhe aos pés o valor do tributo e terá dito que só pertenceria ao seu futuro marido.
Ao deparar-se com tal ofensa, Sancho Meleiro envolveu-se numa luta com o alcaide, sendo que este último conseguiu dominar o noivo com a ajuda de homens que estavam no Castelo. Seguidamente o alcaide prendeu e cortou as orelhas a Sancho.
Ao ver tudo isto, Aldonça foge do Castelo em direção à vila para pedir socorro. Indignado, o povo amotinou-se, os sinos tocaram a rebate e de toda a Terra de Basto chegaram multidões para invadir o Castelo.
O alcaide, receando o pior, decidiu compensar o Meleiro pela desfiguração que lhe causara e concedeu-lhe a liberdade.
Apesar de ter perdido esta luta, o alcaide não desistia de assediar. O seu novo alvo foi a irmã mais velha de Aldonça, de nome Guiomar, de trinta anos e já viúva. Começou a importuná-la com pedidos, até que, uma manhã, o alcaide cruzou-se na vila com ela e ter-lhe-á dito que, à noite, a procuraria em sua casa.
Perante a proposta, Guiomar contou tudo a Sancho Meleiro que viu aqui o momento para se vingar do alcaide, tendo aconselhado Guiomar a recebê-lo em casa, onde tinha os fornos de cozer o pão.
Como combinado, nessa noite chega a casa de Guiomar o alcaide acompanhado por um escudeiro do Castelo. Após ter batido à porta, entrou, enquanto o escudeiro aguardou por seu amo no exterior.
Quando o alcaide entra no interior da casa é atacado pelos familiares de Guiomar sendo morto. Para não existirem vestígios do crime, meteram-no no forno, ficando reduzido a cinzas.
A lenda acrescenta que o criado do alcaide, ao verificar que a demora já era grande, decidiu bater à porta, para lembrar ao amo a necessidade de regressarem. Este, mal entrou na porta, teve o mesmo fim que o seu amo.
Entretanto, os dias iam passando e não se sabia do paradeiro do alcaide. Homens armados procuraram-no em todos os locais mas em vão: ninguém sabia dele.
Perante este desaparecimento, D. Dinis decidiu entregar o Castelo aos moradores do lugar em troca de uma renda anual.
Terras de Basto
A região designada por Terras de Basto encontra-se dividida administrativamente por dois distritos (Braga e Vila Real) e localizada numa zona de transição entre o litoral norte e o interior de Trás-os-Montes. Aliás, é comum afirmar que as Terras de Basto não é Minho nem Trás-os-Montes, é ambas as coisas.
Esta região é constituída pelos concelhos de Mondim de Basto e Ribeira de Pena (distrito de Vila Real), Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto (distrito de Braga). O último concelho mencionado é um dos 12 municípios integrantes da Rota do Românico.
As paisagens da região encontram-se mediadas entre o rio Tâmega e um conjunto de formações montanhosas (a este, a serra do Alvão; a oeste, a serra da Lameira; a norte, as serras do Barroso e Cabreira; a sudoeste, a serra do Marão) o que, em termos físicos, lhe confere uma grande coesão interna.
Sob o ponto de vista histórico, estas terras já se encontram habitadas desde a civilização castreja, como nos testemunham os povoados e as gravuras rupestres do Crastoeiro e de Campelo, em Mondim de Basto, de Lamelas, em Ribeira de Pena, ou de Abadim, no concelho de Cabeceiras de Basto. Já o Castelo de Arnoia e o Mosteiro de Refojos são marcas indeléveis do período medieval.
Em termos económicos, a região continua muito dependente do setor primário, com particular destaque para as florestas, agricultura, pecuária e viticultura. Por ser uma zona sobretudo rural, é nas aldeias - com os seus monumentos de índole religiosa e solares residenciais - que se manifesta, essencialmente, o património arquitetónico. Os celeiros e alpendres, as fontes e os moinhos ou o Castelo de Arnoia e as igrejas de Veade, Ribas e Fervença, em Celorico de Basto, são sinónimos deste território rural.
A estátua “O Basto”, na Praça da República, em Cabeceiras de Basto – representando um guerreiro lusitano, bravo e corajoso – simboliza, porventura, a vontade e dinamismo da região.