Informação Geral
Igreja de Santa Maria de Airães 
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  • Nome: Igreja de Santa Maria de Airães
  • Tipologia: Igreja
  • Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. 129/77, DR 226 de 29 setembro 1977
  • Concelho: Felgueiras
  • Dia do Orago: Santa Maria – 15 de agosto 
  • Horário do Culto: Sábado – 18h45 (inverno) e 19h45 (verão); domingo – 11h00; 3.ª-feira – 08h30; 5.ª-feira – 18h30 
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Rua de Santa Maria, freguesia de Airães, concelho de Felgueiras, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A7 (Póvoa de Varzim), da A24 (Chaves/Viseu) ou da A4 (Bragança/Matosinhos) siga na direção de Felgueiras pela A11 (Esposende/Marco de Canaveses). Saia no nó de Felgueiras (A42) e siga depois a sinalização da Igreja de Airães.
     
    A partir do Porto opte pela A3 (Valença), depois pela A41 CREP (Paços de Ferreira), A42 (Felgueiras) e A11 (Felgueiras). Saia no nó de Felgueiras (A42) e siga depois a sinalização da Igreja de Airães.
     
    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP. Depois escolha a A42 (Felgueiras) e a A11 (Felgueiras). Saia no nó de Felgueiras (A42) e siga depois a sinalização da Igreja de Airães.
      
    Se já se encontra na cidade de Felgueiras siga na direção de Lixa/Amarante, pela estrada N101, até encontrar a indicação Igreja de Airães.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 18' 54.421" N / 8° 11' 52.88" O 
História
História
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Igreja de Santa Maria de AirãesO atual edifício não corresponde à data de fundação da Igreja, a qual está documentada desde 1091. Nas Inquirições de 1221 a Igreja surge como ecclesia de Araes, no Julgado de Felgueiras.

Há registos, efetuados por Francisco Craesbeeck, em 1726, da existência de uma inscrição junto ao púlpito, entretanto desaparecida, referente ao ano de 1184.

O padroado da Igreja conheceu sucessivas transferências, pertencendo à Coroa em 1394, vinculado à Ordem de Aviz. Em 1517 constituiu-se como comenda da Ordem de Cristo.

No entanto, o aspeto tardio de alguns dos elementos da sua construção aponta para um edifício do final do século XIII ou mesmo do início do século XIV.

As sucessivas alterações que a Igreja foi sofrendo modificaram-lhe o caráter inicial. As remodelações sofridas entre os séculos XIII e XIV introduziram-lhe elementos arquitetónicos e gramática decorativa inspirados no gótico.

É nesta campanha que o interior da Igreja é alargado, passando para três naves. Posteriormente, o movimento barroco acrescenta à capela-mor o revestimento com painéis azulejares, o altar central e o sacrário de talha dourada.

A perceção plena da história do edifício e dos aspetos artísticos passa pela compreensão de dados relevantes, como o facto de ter sido uma importante comenda das Ordens Militares de Malta, na Época Moderna, transformando-se em igreja paroquial apenas em 1834, após a extinção das ordens religiosas em Portugal.

As capelas de Santo Amaro, de Nossa Senhora da Assunção e de Nossa Senhora da Nazaré, na qualidade de filiais, estavam dependentes de Airães no ano de 1726. Além disso, sabe-se que, junto da Igreja, existiam vários edifícios senhoriais habitados por reitores e comendadores.

Lendas e Curiosidades
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Uma inscrição referente ao ano 1184 da Era Cristã foi encontrada, junto ao púlpito, por Francisco Craesbeeck. Esta descoberta, registada em 1726, entretanto desaparecida, já estaria incompleta nessa data, faltando nomeadamente o mês e uma parte do texto que poderia esclarecer qual a natureza do acontecimento a que a inscrição fazia referência.

Airães foi uma importante comenda das Ordens Militares de Malta e de Cristo. A Ordem Soberana e Militar de Malta, Ordem dos Hospitalários ou Ordem de São João de Jerusalém, é uma organização internacional católica, que começou por ser uma Ordem Beneditina, fundada no século XI, na Terra Santa, por ocasião das cruzadas. Principiou por assistir e proteger os peregrinos àquelas paragens. Depois das derrotas e da perda de influência dos cruzados na Palestina, a Ordem de Malta passa a operar a partir da ilha de Rodes e, posteriormente, de Malta, enquanto Estado vassalo do Reino da Sicília. Atualmente, é uma organização humanitária internacional.

A Ordem de Cristo é fundada no século XIV, após a extinção da Ordem dos Templários, de quem herdou as propriedades e os privilégios. Esta ajudara Portugal nas batalhas contra os mouros durante os séculos XII e XIII. No entanto, uma perseguição, encetada no século XIV, pelo Papa Clemente V contra os Templários, levou a que D. Dinis recusasse a transferência dos seus bens e privilégios para a Ordem dos Hospitalários, direccionando-a para a Ordem de Cristo, o que permitiu que tudo ficasse como estava.

Cronologia
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Séc. XI – Fundação da Igreja;

Sécs. XIII-XIV – Edificação românica;

Sécs. XVII- XVIII – Ampliação das naves laterais e remodelação dos interiores;

1980 – Trabalhos de conservação e restauro realizados pela paróquia com orientação técnica da DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais;

1989 – Obras de conservação e restauro, coberturas, drenagens exteriores e instalação elétrica;

1992 – Obras de beneficiação geral das coberturas, restauro do teto e altares;

1998 – Integração da Igreja de Santa Maria de Airães na Rota do Românico do Vale do Sousa;

2004 – Obras de conservação geral do imóvel ao abrigo do projeto Rota do Românico do Vale do Sousa;

2005 – Conservação geral dos paramentos da torre sineira e sacristia;

2013-2014 – Conservação geral da Igreja ao nível das coberturas, dos paramentos exteriores e dos vãos, e revisão da instalação elétrica, no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Este monumento é um belo exemplar da arquitetura religiosa românica, gótica, seiscentista e rococó. Santa Maria de Airães é uma Igreja de estrutura românica, orientada, de planta longitudinal, de três naves, cabeceira quadrangular simples e torre sineira adossada à fachada lateral da capela-mor.

Planta da Igreja de Santa Maria de Airães

Da construção românica inicial, de uma única nave, apenas permanece a cabeceira, de planta retangular coberta por abóbada de berço quebrado, e a parte central da fachada principal, voltada a ocidente.

Plantas da Igreja de Santa Maria de Airães

Esta fachada apresenta um portal com um arranjo similar a outras igrejas da região, inserido em estrutura pétrea pentagonal e saliente à fachada, para que possa ser mais profundo.

Destaque para a existência de volumes escalonados, com coberturas diferenciadas, em telhados de duas e uma água. A fachada principal, escalonada com nave central, termina em empena e pórtico aberto em gablete, com quatro arquivoltas assentes em capitéis, lavrados em motivos fitomórficos, despidas de elementos decorativos, com forma e dimensão que indicam soluções góticas. Já a decoração das bases e dos plintos segue a tendência da região.

Coberturas da Igreja de Santa Maria de Airães

Correspondendo a uma antiga fundação, esta Igreja demonstra a aceitação, durante largo tempo, dos modelos construtivos e as soluções decorativas próprios do românico, uma das mais impressionantes características da arquitetura românica do Tâmega e Sousa.

No embasamento da Igreja existem silhares almofadados, de tipologia romana, sugerindo a existência de um edifício dessa época nas proximidades ou mesmo de uma primitiva igreja paleocristã ou suevo-visigótica.

Alçados da Igreja de Santa Maria de Airães

No interior, em resultado de reconstruções sucessivas, as naves estão separadas por arcos de volta inteira, sobre possantes pilares circulares.

Em cada uma das naves existe uma porta e duas janelas e, no topo, retábulos de talha dourada. A cobertura é de madeira, de perfil curvo.

Existe um arco triunfal quebrado de duas arquivoltas, assentes em coluna de capitel esculpido e imposta, e a capela-mor tem na parede testeira uma fresta e um pequeno sacrário. O teto é em abóbada de berço quebrada.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, no qual foram definidas as linhas diretrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projetos técnicos de execução e respetivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, enunciaram-se as condicionantes consideradas de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.
  
O objetivo do Estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Proteção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Envolvente da Igreja de Santa Maria de Airães

Procedeu-se, também, à definição das áreas de atuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios e, simultaneamente, corrigir e/ou criar estruturas e infraestruturas de apoio.

A implantação de uma escola na envolvente próxima do monumento deverá ser objeto de uma intervenção que atenue o seu impacto negativo, a qual deverá abranger, de igual forma, todo o espaço público anexo à Igreja, à escola e à Junta de Freguesia. O salão paroquial e o logradouro deverão ser requalificados, nomeadamente os sanitários existentes.

Recuperação e Valorização
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O conjunto azulejar do século XVII, de padronagem policromada, foi objeto de conservação e restauro. O revestimento é composto por 2328 peças, das quais 736 são réplicas.

Recuperação da Igreja de Santa Maria de Airães

A utilização de materiais inadequados – mormente o cimento – em intervenções anteriores, o destacamento dos vidrados, devido à pressão exercida nos espaçamentos das juntas, e a falta de aderência das peças são fatores que determinam a instabilidade dos azulejos.
 

Recuperação da Igreja de Santa Maria de Airães

Nesta situação, retiraram-se azulejos em perigo de destacamento, para posterior recolocação, removeram-se os materiais nocivos e procedeu-se à limpeza, consolidação, preenchimento e integração cromática.

Galeria
  • +Arco triunfal da Igreja de Airães

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  • +Nave central da Igreja de Airães

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  • +Nave do Evangelho da Igreja de Airães

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  • +Presépio rococó da Igreja de Airães

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  • +Retábulo lateral da Igreja de Airães

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  • +Igreja de Santa Maria de Airães

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  • +Igreja de Santa Maria de Airães

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  • +Azulejaria seiscentista da Igreja de Airães

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  • +Nave da Epístola da Igreja de Airães

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  • +Colunas do portal ocidental da Igreja de Airães

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  • +Capitel do portal ocidental da Igreja de Airães

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  • +Capitel do portal ocidental da Igreja de Airães

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  • +Capitel do portal ocidental da Igreja de Airães

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  • +Torre adjacente da Igreja de Airães

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  • +Pormenor da arquivolta da Igreja de Airães

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  • +Retábulo lateral da Igreja de Airães

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  • +Capitel do portal ocidental da Igreja de Airães

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  • +Portal ocidental da Igreja de Airães

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Saber mais
Bibliografia

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ROSAS, Lúcia (coord.) – Românico do Vale do Sousa. Lousada: Comunidade Urbana do Vale do Sousa, 2008.

SIMÕES, J.M. dos Santos – Azulejaria em Portugal no século XVII. 2.ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. Tomo I.

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