Informação Geral
Igreja de São Martinho de Soalhães 
Ver Mapa
Visita Virtual
  • Nome: Igreja de São Martinho de Soalhães
  • Tipologia: Igreja
  • Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. n.º 129/77, DR n.º 226 de 29 setembro de 1977 / Dec. n.º 67/97, DR, 1.ª série-B, n.º 301 de 31 dezembro de 1997
  • Concelho: Marco de Canaveses
  • Dia do Orago: São Martinho - 11 de novembro 
  • Horário do Culto: Sábado 17h30; domingo - 9h15 
  • Horário da Visita: Por marcação   
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488   
  • Fax: 255 810 709   
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt    
  • Web: www.rotadoromanico.com   
  • Localização:
    Avenida da Igreja, freguesia de Soalhães, concelho do Marco de Canaveses, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Saia para o Marco de Canaveses e continue na direção de Baião até se deparar com a sinalização da Igreja de Soalhães.

     

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real). Saia para o Marco de Canaveses e continue para Baião.

     

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP (Vila Real). Escolha depois a A4 (Vila Real) e saia para o Marco de Canaveses. Continue para Baião.

     

    Se já se encontra na cidade do Marco de Canaveses, tome a variante à estrada N211 na direção de Baião até se deparar com a sinalização da Igreja de Soalhães.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 9' 37.94" N / 8° 5' 48.39" O 
História
História
Ouvir
Igreja de Soalhães (Fotografia: © SIPA – IHRU)As origens da Igreja de São Martinho de Soalhães remontam ao século IX, quando aqui se fundou uma basílica onde estariam as relíquias deste santo ou existia um mosteiro dos Templários, já referenciado no ano de 1120.

Contudo, dados mais concretos escasseiam até chegarmos ao século XIII, quando se documenta que a Igreja passou à condição secular, completando, assim, o processo de formação da paróquia.

Na listagem das igrejas de 1320, Soalhães é citada com a de Mesquinhata (Macinhata) e de Santa Cruz como sendo, todas juntas, taxadas em 400 libras.

Este território constituía, no século XVIII, a Prelazia de Soalhães, ou seja, uma circunscrição eclesiástica fora da jurisdição diocesana, possuindo jurisdição que se comparava quase à jurisdição Episcopal.

Apesar do peso histórico que adquiriu na Idade Média, a atual estrutura da Igreja de Soalhães denota poucos vestígios desses tempos, tendo sido bastante alterada em épocas posteriores.

Estas alterações geraram uma certa polémica nas instituições competentes aquando da sua classificação: apesar da sua raiz medieval, os testemunhos dessa época eram parcos para se avançar com a sua valorização.

Inicialmente a classificação como Monumento Nacional só abrangeu os elementos românicos da Igreja. Mas esta situação foi posteriormente solucionada em 1980, quando se considerou a necessidade de se classificar a Igreja no seu todo e não partes concretas.
Personalidades Históricas
Ouvir
D. João Martins de Soalhães
D. João Martins de Soalhães (Soalhães ? - Braga, 1 de Maio de 1325) foi bispo de Lisboa (1294-1313) e arcebispo de Braga (1313-1325).

Por laços de sangue, descendia dos Portocarreiro, por então uma família poderosíssima em Portugal, sendo filho de Lourenço Martins e de D. Fruela Viegas, filha de D. Egas Henriques Portocarreiro, o Bravo (1146 -?) e de D. Teresa Gonçalves de Curveira.

Alçado ao governo da diocese em começos de 1294, fundou pouco depois o Convento de Santa Clara de Lisboa, em 1295, e isentou o Mosteiro de Odivelas, como parte do padroado régio, da jurisdição da diocese de Lisboa. Por seu turno, conseguiu de D. Dinis diversos privilégios para a sua Sé, tendo acompanhado o monarca numa viagem que este realizou a Aragão, em 1304.

Nesse mesmo ano, instituiu o morgado de Soalhães em favor de um filho ilegítimo que tivera, Vasco Anes de Soalhães (1450 - ?), casado com Leonor Rodrigues Ribeiro, filha de Rodrigo Afonso Ribeiro e de Maria Pires de Tavares (1200 - ?).

João Martins de Soalhães teve também, da mesma senhora cujo nome a história não regista, D. Maria Anes de Soalhães que veio a casar com Rui Lourenço Portocarreiro, filho de D. Lourenço Anes de Portocarreiro e de Guiomar Rodrigues Fafes (1240 - ?).

Em 1306 participou num concílio provincial, respondendo ao apelo do seu metropolita (que então era o arcebispo de Santiago de Compostela, e não o de Braga) e, em 1307, convocara um sínodo diocesano, destinado a reformar a sua igreja, tendo decretado novas constituições sinodais. Passados três anos encontra-se a participar num outro concílio provincial.

Em 1313, morrendo o arcebispo de Braga, D. Martinho Pires de Oliveira, foi promovido ao governo da Sé Primaz, à frente da qual se manteve até morrer, no dia 1 de maio de 1325.
Cronologia
Ouvir
875 - Referência à basílica de São Martinho;

1120 - Referência ao mosteiro de Soalhães;

1304 - Instituição do morgadio de Soalhães;

1320 - Soalhães, juntamente com Mesquinhata e Santa Cruz são taxadas em 400 libras;

1514, julho, 15 - Data do foral de Soalhães;

1733 - Data que assinala as reformas na estrutura e património integrado da Igreja (assinalada no coro alto);

1740-50 - Cronologia provável para a campanha azulejar da nave da Igreja de Soalhães;

1977 - Classificação da Igreja de Soalhães como Monumento Nacional (decreto n.º 129). Esta classificação incluía apenas os elementos românicos;

1980, março, 26 - Despacho de alargamento do âmbito de classificação da Igreja de Soalhães contemplado pelo decreto n.º 129 de 1977;

1997, dezembro, 31 - Decreto estabelecendo uma nova redação à designação oficial da Igreja;

2010 - Integração da Igreja de São Martinho de Soalhães na Rota do Românico.
Especialidades
Arquitetura
Ouvir
Embora seja um edifício de edificação românica, poucos elementos desse período chegaram até nós. Dessa época persistem, apenas, o portal principal e a arca tumular na capela-mor. Contudo, o próprio portal é um elemento do românico tardio, uma solução protogótica possivelmente do século XIV.

A ausência de tímpano, associada às arquivoltas de perfil quebrado e os capitéis com uma decoração animalista e vegetalista, mostrando um evidente naturalismo e uma certa elegância desenhada pelo seu cesto, comprovam o seu caráter protogótico.

A mesma cronologia tardia se confirma no túmulo inserido em arcossólio na capela-mor, do lado da Epístola, já que os escudos são abrigados por elementos de evidente sabor gótico: uma arcada, composta por arcos trilobados e dotados de capitéis; sobre a arcada, micro-empenas encimadas por remate em forma de trevo; a tampa do túmulo, de secção hexagonal e volume em duas águas, apresenta uma cruz e uma sucessão de motivos florais envolvidos por um multiplicado motivo fitomórfico.

Embora se desconheça quem de facto nele está sepultado, a sua localização na capela-mor remete-nos de imediato para alguém de alta estirpe, ligado seguramente ao padroado da Igreja.

Excetuando-se estes elementos românicos, o que se sobressai no restante espaço são as alterações aplicadas durante a Época Moderna: as amplas dimensões da nave, a profundidade da capela-mor e os janelões retangulares são o resultado das transformações ocorridas após o Concílio de Trento com intuito de atualizar o interior da Igreja à liturgia e estética imanada desse importante concílio católico.

Também da mesma época são a torre adossada à fachada principal, com seu remate bolbiforme, o óculo com formas curvilíneas que encima o portal principal e os amplos janelões que na fachada principal (e nas laterais) iluminam a jorros o interior da igreja.

Planta da Igreja de Soalhães (Fotografia: © SIPA – IHRU)

O barroco, com o seu horror ao vazio, é também visível no interior com retábulos repartidos entre a capela-mor e a nave e o revestimento do corpo da Igreja com painéis azulejares e madeira entalhada.

Característicos do século XVIII, os painéis apresentam cenas claramente barrocas: grinaldas de flores e de frutos ou os putti. Ao nível da composição das cenas, é evidente a teatralização do gesto criada pelas figuras representadas, como por exemplo Moisés e a Serpente de Bronze ou Samaritana e Jesus falando aos Discípulos.

A norte, abre para a nave a capela dedicada a São Miguel, com alçados revestidos a azulejos e retábulo-mor em talha nacional.

Contrariamente ao que acontece na nave, a capela-mor da Igreja apresenta-se despojada de ornamentação. O retábulo-mor, de estilo neoclássico, alberga as imagens de São Martinho de Tours e Santa Luzia. Ao cimo do trono, uma imagem de Cristo crucificado anula o vazio do espaço votado à exposição do Santíssimo Sacramento.

Adossada do lado norte à capela-mor temos a sacristia, onde é visível um silhar de azulejo, com moldura de acantos, de figura avulsa, com cantos de estrelas e motivos de barcos, pássaros, entre outras figurações.
Recuperação e Valorização
Ouvir
Recuperação e Valorização da Igreja de Soalhães (Fotografia: © SIPA – IHRU)A classificação da Igreja de Soalhães como Monumento Nacional foi um marco relevante para se intervir no espaço religioso com vista à sua recuperação e valorização. 

Ciente desta importância, a população de Soalhães criou uma Comissão Fabriqueira com intuito de promover as intervenções necessárias no edifício.

Em 1982 foram iniciados diversos trabalhos de conservação, que se prolongaram até finais do século XX.
Galeria
  • +Igreja de Soalhães. Capela de São Miguel.

    JPG - 626Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Nave.

    JPG - 842Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Capela de São Miguel. Pintura mural.

    JPG - 800Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Nave.

    JPG - 877Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Nave.

    JPG - 858Kb

    Download»
  • +Igreja de São Martinho de Soalhães (1976) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

    JPG - 146Kb

    Download»
  • +Igreja de São Martinho de Soalhães (1976) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

    JPG - 179Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Nave.

    JPG - 831Kb

    Download»
  • +Igreja de São Martinho de Soalhães (1976) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

    JPG - 77Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Capela-mor. Túmulo.

    JPG - 631Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachadas oriental e norte.

    JPG - 586Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachada ocidental. Capitéis do portal ocidental.

    JPG - 901Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachada ocidental. Friso e capitéis do portal ocidental.

    JPG - 848Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachadas ocidental e sul.

    JPG - 519Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachada ocidental. Friso do portal ocidental.

    JPG - 942Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachada ocidental. Portal ocidental.

    JPG - 711Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Nave e Capela de São Miguel.

    JPG - 857Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachada ocidental.

    JPG - 551Kb

    Download»
  • +Igreja de Soalhães. Fachadas sul e oriental.

    JPG - 482Kb

    Download»
Saber mais
Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - Arquitectura românica de Entre Douro e Minho. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1978. Dissertação de doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

AMARAL, António Caetano; ALMEIDA, M. Lopes de; PEGADO, César - Para a história da legislação e dos costumes de Portugal: memória V. Porto: Livraria Civilização, 1945.

BOTELHO, Maria Leonor; RESENDE, Nuno – Igreja de são Martinho de Soalhães: Marco de Canaveses. In ROSAS, Lúcia, coord. cient. – Rota do Românico. Lousada: Centro de Estudos do Românico e do Território, 2014. Vol. 2, p. 114-135.

COSTA, A. Carvalho da - Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal... Lisboa: Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1706.

CUNHA, Rodrigo da - Catalogo e historia dos bispos do Porto. Porto: João Rodriguez, 1623.

DECRETO n.º 129/77. D.R. 226 (1977-09-29).

DECRETO n.º 67/97. D.R. 1.ª Série-B. 301 (1997-12-31).

FIGUEIREDO, José Anastácio de - Nova história da Ordem de Malta... Lisboa: na Officina de Simao Thaddeo Ferreira, 1800.

GAIO, Felgueiras Manuel José da Costa - Nobiliário de famílias de Portugal. [Braga]: Agostinho de Azevedo Meirelles/Domingos de Araújo Affonso, 1938-1941.

LOURENÇO, Joaquim Maria - Situação jurídica da Igreja em Portugal: análise histórico-jurídica e crítica das relações da Igreja católica com o Estado Português. Coimbra: Coimbra Editora, [s.d.].

MOREIRA, Domingos A. - Freguesias da diocese do Porto: elementos onomásticos alti-medievais. Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto. Vol. 7-8 (1989-1990) 7-119.

PORTUGAL. Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território - IRHU/Arquivo ex-DGEMN - Processos vários. Nº IPA PT011307220015 [Em linha]. Disponível em WWW:<URL:http://www.monumentos.pt>.

RODRIGUES, José Carlos Meneses - Retábulos no Baixo Tâmega e no Vale do Sousa: séculos XVII-XIX. Porto: Universidade Porto,  2004.

SILVA, João Belmiro Pinto da - Marco de Canaveses: sepulturas medievais concelhias: sepulturas com lages de cobertura e túmulos móveis. Marco de Canaveses: [edição de autor], 1990.

SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria em Portugal no século XVII: tomo I: tipologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1971.

SOTOMAYOR-PIZARRO, José Augusto - Linhagens medievais portuguesas: genealogias e estratégias: 1279-1325. Porto: Universidade do Porto,  1997.

SOTOMAYOR-PIZARRO, José Augusto - Os patronos do Mosteiro de Grijó: evolução e estrutura da família nobre: séculos XI a XIV. Porto: Universidade do Porto,  1987.

TELES, Jaime da Silva - [Memória Paroquial de] Soalhães [Manuscrito]. 1758. Acessível em ANTT, Lisboa. PT-TT-MPRQ/35/181.

Downloads