Informação Geral
Igreja do Salvador de Cabeça Santa  
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  • Nome: Igreja do Salvador de Cabeça Santa
  • Tipologia: Igreja
  • Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. 14 425, DG 228 de 15 de outubro de 1927, ZEP, DG 188 de 15 de agosto de 1951
  • Concelho: Penafiel
  • Dia do Orago: Divino Salvador - 6 de agosto 
  • Horário do Culto: Sábado - 18h30; domingo - 08h00   
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Praça Carlos Pereira Soares, freguesia de Cabeça Santa ou da Gândara, concelho de Penafiel, distrito do Porto
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos) e saia para Entre-os-Rios/Penafiel Sul. Vire à esquerda para Penafiel e depois siga para Entre-os-Rios/Castelo de Paiva, pela N106, até encontrar a seta identificadora da Igreja de Cabeça Santa.

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real). Saia em Entre-os-Rios/Penafiel Sul, siga na direção de Penafiel e depois na Entre-os-Rios/Castelo de Paiva.

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP. Escolha depois a A4 (Vila Real), saia em Entre-os-Rios/Penafiel Sul e vire à esquerda para Penafiel. Siga na direção de Entre-os-Rios/Castelo de Paiva até à Igreja de Cabeça Santa.

    Se já se encontra na cidade de Penafiel, tome a direção de Entre-os-Rios/Castelo de Paiva, pelas estradas N15 e N106, até encontrar a indicação da Igreja de Cabeça Santa.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 7' 55.394" N / 8° 16' 48.143" O  
História
História
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Igreja do Salvador de Cabeça Santa A Igreja do Salvador da Gândara, como foi conhecida durante muito tempo, foi fundada por D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, durante o segundo quartel do século XIII, e é, segundo alguns especialistas, uma cópia modesta da Igreja de Cedofeita, no Porto, com a qual possui vários pontos de contacto, nomeadamente ao nível da decoração.

Os mesmos artistas deverão ter trabalhado nos dois monumentos, a avaliar pela representação de dois estilizados dragões de corpo de ave, que inclinam o pescoço para morder outros seres dispostos em posição inferior, localizada num dos capitéis do portal lateral sul, idêntico a outro existente no portal principal de Cedofeita.

A itinerância dos artistas do românico é habitual nesta época, estando perfeitamente contextualizada com a realidade histórico-geográfica da região do Tâmega e Sousa.

No mesmo portal sul de Cabeça Santa existe um capitel representando um acrobata de corpo arqueado, formando uma espécie de ponte, que tem sido considerado um dos melhores exemplares da escultura do românico do Norte.

O interesse de Cabeça Santa não se resume somente à arte românica, mas à génese do seu nome. Em data incerta, uma igreja dedicada ao Salvador passa a ser conhecida como de Cabeça Santa, muito provavelmente devido à existência de uma imagem de grande devoção.

Nas Inquirições de 1258 a Igreja é referida sob a designação de São Salvador da Gândara, denominação que irá manter até ao século XVII, quando começa a ser também intitulada de Cabeça Santa, em referência a um crânio guardado em relicário de prata e exposto em altar próprio, situado na nave da Igreja.

Nas traseiras do templo existe um conjunto de sepulturas antropomórficas escavadas na rocha muito bem preservado, cuja datação é anterior à Igreja do século XIII, indiciando uma ocupação em plena Alta Idade Média.

Da Época Moderna apenas resta a Capela de Nossa Senhora do Rosário, espaço quadrangular existente a norte, revestido por talha e azulejos barrocos.

Personalidades Históricas
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D. Mafalda 

D. Mafalda D. Mafalda (1195-1256) era filha de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão e neta de D. Afonso Henriques. Dada em casamento a
Henrique I de Castela, que morre dois anos depois, regressa a Portugal para se instalar no Mosteiro de Arouca. O seu corpo incorrupto ainda ali se mantém.

A ligação de D. Mafalda à região do Tâmega e Sousa advém da confiança que o rei D. Sancho depositava na família dos Ribadouro, entregando a educação da sua filha legítima a Urraca Viegas, uma das filhas de Egas Moniz.










D. Sancho I
D. Sancho I
D. Sancho I de Portugal (Coimbra, 11 de novembro de 1154 - Coimbra, 26 de março de 1211) foi cognominado de O Povoador, pela forma como promoveu o povoamento do território, nomeadamente através da criação da cidade da Guarda (1199), Gouveia (1186), Covilhã (1186), Viseu (1187) e Bragança (1187), recorrendo a imigrantes da Flandres e da Borgonha. Armado cavaleiro pelo seu pai, D. Afonso Henriques, assume a chefia do reino aos 18 anos, em 1172, depois de um acidente que incapacitou o rei durante a Batalha de Badajoz, em 1169.

Liderou, enquanto Príncipe, uma campanha militar ofensiva na Andaluzia (1178), que lhe granjeou o apoio dos portugueses e de seu pai. Em resposta, os almóadas efetuaram várias incursões entre 1179 e 1184, ao mesmo tempo que Leão também retomava as hostilidades contra Portugal.

Aclamado rei a 9 de dezembro de 1185, D. Sancho aproveita a morte do rei de Leão, a ausência do sultão de Marrocos em África e o apoio de uma armada de cruzados para encetar uma nova ofensiva contra os almóadas. Conquistado o Algarve, passa a ostentar o título de rei de Portugal e do Algarve.

O rei português foi responsável pela restauração das finanças do Reino e pela promoção da cultura em Portugal e no estrangeiro.




Urraca Viegas
Nasceu por volta de 1130, sendo filha de Egas Moniz e Teresa Afonso, da família dos Ribadouro. Patrona do Mosteiro de São Salvador de Tuías, no Marco de Canaveses, foi aia de D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, a quem educou como se fosse sua filha, deixando-lhe, em 1199, uma parte considerável dos seus bens.
Lendas e Curiosidades
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Relicário D. MafaldaÉ uma devoção de D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, a uma relíquia sagrada – um crânio guardado dentro de um relicário em prata, exposto em altar próprio – que faz nascer esta Igreja.

Apesar de não se saber a que personalidade pertence esta relíquia, sustenta uma fama milagreira, auxiliando os fiéis em várias doenças e na mordedura de cães raivosos.

As peregrinações e a devoção desta relíquia ocorrem no dia de S. João Baptista.

Nesta altura, existiam em Portugal 37 relíquias semelhantes, de crânios atribuídos a mártires e santos, fenómeno que perdura até à Época Moderna.

Cronologia
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Séc. X-XI – Edificação original (desaparecida);

Séc. XIII – Edificação da Igreja românica;

Sécs. XVI-XVII – Construção da capela lateral, com decoração azulejar e retábulo de talha;

Sécs. XVII-XVIII – Construção da torre sineira;

1937 – Obras de restauro promovidas pela DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que incluíram: apeamento completo de paredes exteriores e posterior reconstrução, entaipamento de rasgos com silharia, restauração de duas frestas com cantaria apicoada;

1938 – Limpeza e obras de reconstrução na cobertura, tomada de juntas das paredes, assentamento do lajeado de cantaria;

1939 – Conclusão do restauro: limpeza de cantaria, fechamento de juntas, reconstrução de frestas, porta, armação do telhado, cobertura e apeamento do altar;

1940 – Obras diversas na cobertura, portas e lajeamento na capela-mor;

1942 – Obras de restauro que incluíram: arranjo geral da sacristia, do arco da capela lateral e colocação da grade seiscentista e transferência do altar-mor para São Vicente de Irivo;

1950 – Obras de restauro: assentamento do soalho nos dois corpos laterais da igreja, reparações nas caixas de ar, obras de restauro na capela lateral, sacristia e fachadas, deslocação da torre sineira, instalação elétrica e arranjo geral do adro;

1951 – Modificação do sistema elétrico e obras na cobertura;

1966 – Mudança do altar-mor;

1973 – Trabalhos de conservação nos telhados, portas, caixilhos de janelas e instalação elétrica sonora;

1985 – Reparações na cobertura;

1998 – Integração da Igreja do Salvador de Cabeça Santa na Rota do Românico do Vale do Sousa;

2003-2004 – Obras de conservação e valorização do imóvel, no âmbito do projeto da Rota do Românico do Vale do Sousa: revisão geral das coberturas, beneficiação geral dos vãos exteriores, remate das juntas exteriores, lavagem dos paramentos, remoção do pavimento do adro e colocação de novo, com trabalhos arqueológicos preliminares e de acompanhamento, recolocação do lajeado nos exteriores do monumento e da casa paroquial, construção de apoios para os túmulos e beneficiação geral da torre sineira;

2013-2014 – Conservação geral da Igreja ao nível das coberturas, paramentos e vãos, e conceção de novo mobiliário para o espaço de celebração, no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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 A Igreja é um exemplar de arquitetura religiosa românica. Igreja de planta longitudinal e capela-mor quadrangular, estruturalmente presa ao românico da bacia do Sousa e do Baixo Tâmega.

Planta da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

Possui afinidades de conceção e linguagem arquitetónica com a Igreja de São Gens de Boelhe e com a Igreja de Santa Maria de Meinedo.

As soluções decorativas que se encontram nesta igreja são muito próximas das aplicadas na Sé do Porto e na Igreja de São Martinho de Cedofeita, nomeadamente no arranjo dos portais e na escultura dos capitéis. A escultura foi beber influências aos modelos franceses e da região do Porto, além de se encontrarem soluções próprias do pré-românico.

Planta da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

O portal ocidental possui um tímpano decorado com cabeças de ovídeos, nos capitéis há aves afrontadas e, num deles, figura um personagem deitado e agarrado pela boca de um animal, significando um homem aprisionado pelo pecado. Na fachada sul são visíveis mísulas e um lacrimal, destinado ao escoamento das águas pluviais, que aludem a um antigo alpendre com telhado de uma água.
 
No adro da Igreja, em afloramento granítico, existem três sepulturas escavadas na rocha. Uma com cabeceira trapezoidal e com remate arredondado nos pés, destinada a um adulto, e as outras duas são geminadas, tendo uma a cabeceira em arco de ferradura e a outra apresenta-se muito mutilada na sua metade superior. Junto ao muro, a sul, existem ainda três sarcófagos medievais com as respetivas tampas.

Alçado da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

O interior foi completamente despojado de toda a cor, de altares, de pinturas, de imagens ou qualquer outro mobiliário litúrgico e devocional.

O único aspeto decorativo surge no arco do cruzeiro, nos capitéis, muito semelhantes aos de São Martinho de Cedofeita. Característica do românico, o aparelho granítico é de boa qualidade, tanto na nave como na cabeceira.

Alçado da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

 

A partir da nave da Igreja acede-se à, atualmente, denominada Capela de Nossa Senhora do Rosário, um espaço autónomo de planta retangular. Bastante equilibrado e requintado, no que se refere ao gosto decorativo, este espaço apresenta uma estética própria do barroco português, nomeadamente na peculiar associação da talha dourada, do revestimento azulejar e a madeira de pau-preto com aplicações de metal dourado das grades torneadas, que marcam a separação entre a capela e a nave da Igreja.

No projeto de recuperação da Igreja estava, inicialmente, prevista a remoção da torre sineira, facto que colidia com os interesses da população. Optou-se, então, pela sua desmontagem e remontagem junto ao limite do adro.

Arqueologia
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Igreja do Salvador de Cabeça SantaA intervenção arqueológica teve como objetivo fundamental acompanhar a remoção do atual piso térreo do adro, em saibro, colocado na década de 40 do século XX, prevenindo a destruição de vestígios arqueológicos que se admitia existirem sob o referido piso, designadamente enterramentos.
 
Secundariamente pretendia-se avaliar a possibilidade de instalação de redes de drenagem e de cablagens para iluminação, sem causar impactos nos vestígios arqueológicos que eventualmente se viessem a descobrir.
 
Como posição de princípio, entendeu-se que se deveriam evitar quaisquer trabalhos de escavação arqueológica alargada, devendo o projeto de obras ser suficientemente flexível para se adaptar à eventual existência de vestígios arqueológicos.
 
Implantou-se uma quadrícula ajustada ao terreno e às características arquitetónicas do edifício, tomando como base o eixo axial da igreja, sendo a dimensão de cada quadrado de três metros de lado.
 
Os trabalhos decorreram em duas fases: na primeira, fez-se a remoção manual do piso, em zonas selecionadas, abrindo-se sete quadrículas para identificar a que profundidades se encontravam eventuais vestígios com interesse arqueológico. Estas primeiras sondagens localizaram-se contiguamente ao edifício, coincidindo com o traçado perimetral previsto para a implantação da drenagem e iluminação; a segunda fase, consistiu no acompanhamento da retirada com meios mecânicos de todo o piso atual do adro e no registo sistemático dos vestígios arqueológicos encontrados.

Igreja do Salvador de Cabeça Santa_arqueologia

Em todas as quadrículas, procedeu-se à decapagem dos sedimentos por camadas naturais, adotando-se um registo equiparável ao método Harris. O espólio encontrado, referenciado em relação à quadrícula e contexto, foi alvo de tratamento preliminar, inventário e classificação, tendo-se já procedido ao seu depósito definitivo no Museu Municipal de Penafiel.

O espólio recolhido foi escasso, pouco ultrapassando a centena de fragmentos, de muito pequena dimensão. A maior parte proveio da zona noroeste do adro, associado aos vestígios do edifício encontrado, de funcionalidade e arquitetura desconhecida, e do local onde estava implantada a torre sineira, posteriormente deslocada. Desta última zona foram retirados apenas alguns fragmentos para amostragem, em contexto de entulhamento recente.

De referir que grande parte do espólio recolhido é de cronologia moderna, com predomínio das cerâmicas vidradas estanhíferas (faianças), com 40% do total do espólio cerâmico. Já as cerâmicas vermelhas e cinzentas correspondem, cada, a cerca de 16%. Identificaram-se alguns fragmentos de cerâmica cinzenta com características comuns às produções medievais.

 

Igreja do Salvador de Cabeça Santa_arqueologia

O conjunto dos dados obtidos confirmou plenamente o acerto da metodologia de trabalho seguida. Comprovada a existência de vestígios com interesse arqueológico, foi aceite a recomendação de não se instalar qualquer sistema de drenagem enterrado, evitando-se a realização de escavações arqueológicas. Consequentemente, limitou-se a intervenção no piso do adro à sua substituição por outro de tipologia semelhante, sem alteração da cota existente, o que assegurou a conservação integral das ruínas subjacentes.
 
Assim preservado, o subsolo do adro da igreja de Cabeça Santa constitui-se como reserva arqueológica com interesse científico para o estudo das práticas funerárias medievais, especialmente pela diversidade de tipologias de estruturas de enterramento identificadas, que incluem, pelo menos, sarcófagos e caixas pétreas com tampa monolítica e/ou cobertura composta.
 
Quanto ao sistema de iluminação, foi recomendado que o mesmo fosse implantado na área mais perimetral do adro, aproveitando a vala de fundação do muro circundante. Quando tal não foi possível, recomendou-se a colocação das cablagens na espessura do piso térreo.
Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, no qual foram definidas as linhas diretrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projetos técnicos de execução e respetivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, enunciaram-se as condicionantes consideradas de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

Envolvente da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

O objetivo do Estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Proteção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Procedeu-se, também, à definição das áreas de atuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios e, simultaneamente, corrigir e/ou criar estruturas e infraestruturas de apoio.

A atividade industrial existente ao longo do caminho municipal 1304 deve ser alvo de requalificação e ordenamento, segundo o Estudo, no qual se considera que aquela exerce influência negativa na envolvente do imóvel.

As unidades de exploração de granito, a nascente da Igreja, necessitam, igualmente, de uma operação de integração paisagística que amenize o impacto negativo na paisagem. O traçado do futuro IC35, que ligará Penafiel a Entre-os-Rios, já foi alvo de retificação para diminuir o impacto na envolvente do imóvel, em resultado de recomendações por parte dos responsáveis pelo Estudo.

Junto ao imóvel considera-se fundamental remodelar o sistema de iluminação pública no largo da Igreja e casario contíguo, bem como restaurar o edifício de armazenamento de produtos agrícolas existente junto à casa do padre que, caso esteja desativado, os responsáveis pelo estudo sugerem possa ser utilizado como espaço de apoio à Rota do Românico.

Recuperação e Valorização
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A conservação e valorização geral da Igreja envolveu intervenções ocorridas ao longo do ano de 2004, que incluíram a reparação da cobertura, limpeza de paramentos exteriores, beneficiação geral das caixilharias exteriores, execução de novo pavimento do adro, iluminação exterior e colocação de algumas espécies vegetais. A torre sineira também sofreu intervenção visando a sua beneficiação geral.

Recuperação da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

Na segunda fase de trabalhos passou-se para o interior do imóvel, executando-se o tratamento das madeiras e um novo teto para a sacristia, colocando-se uma nova instalação elétrica e de iluminação.

Recuperação da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

No que se refere aos paramentos em granito, as juntas de pedra receberam tratamento, necessário devido a duas décadas com ausência de quaisquer cuidados de preservação.

Os pavimentos foram, igualmente, objeto de intervenção, tal como os paramentos verticais e os tetos da nave, capela-mor, sacristia e um espaço anexo a esta última. As caixilharias também foram intervencionadas, quer através de alterações às portas e ferragens, quer pela afinação das ferragens, ou pela execução de portas.

Recuperação da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

O património azulejar, existente no revestimento da capela lateral da Igreja de Cabeça Santa, é do tipo tapete Setecentista, com motivos florais e geométricos azuis, brancos e amarelos, em número de 2240.

Antes de ser intervencionado, este património revelava algumas zonas com vidrados fissurados e com pouca aderência à chacota, falhas de vidrado, bastantes fraturas simples, algumas fraturas múltiplas, manchas de sujidade, lacunas, zonas com sais e/ou microrganismos, alguns azulejos trocados e zonas onde se verificava ter sido utilizada argamassa de assentamento pouco aplicável à conservação.

Finalmente, o retábulo, o teto e o arco em talha dourada, bem como a grade da capela lateral, foram objeto de trabalhos de conservação para eliminar alguns dos problemas apresentados. A grade evidenciava alguns danos estruturais, incluindo um balaústre partido, desgaste da camada de proteção, manchas pontuais na madeira, provocadas pela oxidação dos elementos metálicos decorativos e ausência de alguns elementos metálicos.

Recuperação da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

No retábulo, teto e arco verificava-se a deposição de poeira e sujidade aderente em toda a superfície, a existência de danos pontuais provocados pela atividade de insetos xilófagos, de elementos metálicos oxidados, elementos em destacamento ou partidos, desagregação pontual da camada de preparação branca e lacunas de preparação e folha de ouro.

Galeria
  • +Arco triunfal da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Cabeceira da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Cabeceira da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Capela lateral da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Igreja do Salvador de Cabeça Santa

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  • +Imagem de Nossa Senhora do Rosário na Igreja de Cabeça Santa

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  • +Nave da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Capitéis do portal sul da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Fachadas ocidental e sul da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Portal ocidental da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Fachada ocidental da Igreja de Cabeça Santa

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  • +Capitéis do portal ocidental da Igreja de Cabeça Santa

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Saber mais
Bibliografia

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COELHO, Manuel Ferreira – “O Concelho de Penafiel nas Memórias Paroquiais de 1758”. Penafiel – Boletim Municipal de Cultura. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel. Terceira Série, nº 4 e 5 (1987-88).

DGEMN – Monumentos: Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais: número 64. [CD-ROM]. Lisboa: DGEMN, 1998.

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ROSAS, Lúcia (coord.) – Românico do Vale do Sousa. Lousada: Comunidade Urbana do Vale do Sousa, 2008.

SANTA MARIA, Francisco – O Ceo aberto na terra: historia das Sagradas Congregações dos Cónegos Seculares de S. Jorge em Alga de Venesa e de S. João Evangelista em Portugal. Lisboa: Officina de Manoel Lopes Ferreyra, 1697. 

SIMÕES, J.M. dos Santos – Azulejaria em Portugal no século XVII. 2.ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. Tomo I.

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