Informação Geral
Igreja do Salvador de Fervença  
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  • Nome: Igreja do Salvador de Fervença
  • Tipologia: Igreja
  • Classificação: Em vias de classificação
  • Concelho: Celorico de Basto
  • Dia do Orago: Divino Salvador - 6 de agosto 
  • Horário do Culto: Sábado - 16h00; domingo - 8h00 
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488   
  • Fax: 255 810 709   
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt    
  • Web: www.rotadoromanico.com   
  • Localização:
    Lugar do Assento, freguesia de Fervença, concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A7 (Póvoa de Varzim), da A24 (Chaves/Viseu) ou da A4 (Bragança/Matosinhos) siga na direção de Felgueiras pela A11 (Esposende/Marco de Canaveses). Saia no nó de Felgueiras (A42) da A11. Siga na direção de Moure e, depois de cruzar esta localidade, vire à esquerda para a estrada N101-4 em direção a Celorico de Basto.

     

     
    A partir do Porto opte pela A3 (Valença), depois pela A41 CREP (Paços de Ferreira), A42 (Felgueiras) e, finalmente, pela A11 (Felgueiras). Saia no nó de Felgueiras e depois rume a Moure. Depois de cruzar esta localidade, vire à esquerda para a estrada N101-4 em direção a Celorico de Basto.

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP (Vila Real). Depois escolha a A42 (Felgueiras) e a A11 (Felgueiras). Nesta via saia no nó de Felgueiras e depois siga para Moure. Rume a Celorico de Basto pela estrada N101-4.

     

    Se já se encontra na vila de Celorico de Basto, rume na direção do Castelo de Arnoia e, depois, continue pela estrada N101-4 em direção a Felgueiras.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 21' 27.73" N / 8° 5' 17.65" O 
História
História
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Situada numa das encostas do vale do ribeiro de Esporão, a Igreja do Salvador de Fervença esteve, no século XIII, no centro de uma discórdia patrimonial entre um certo clérigo e Gil Vasques, rico-homem de Fervença, em que o primeiro requeria a posse da Igreja. Para este conflito muito contribuiu o património extenso que a Igreja possuía.

Este e outros conflitos só foram sanados com a intervenção régia, não obstante a fraca presença real - excetuando-se alguns campos reguengos, casais, leiras e foros, o restante património era posse de senhores locais ou regionais.

No século seguinte e no intuito de auxiliar as obras do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, D. Dinis doa o padroado da Igreja de Fervença ao seu filho bastardo Afonso Sanches, a 30 de maio de 1318, tornando-a Igreja anexa ao referido Mosteiro, permanecendo, neste contexto, até finais do século XVIII.

Consagrada ao Salvador do Mundo, a Igreja de Fervença apenas conserva hoje, da Época Românica, a cabeceira, tendo sido o restante espaço objeto de adaptações ou alterações posteriores. Por exemplo, na passagem do terceiro para o último quartel do século XX, procedeu-se à reconstrução da nave.

Apesar das transformações que sofreu e que lhe alteraram o plano medieval, devemos destacar a abside românica, onde se cruzam várias influências, umas provenientes da escultura praticada nos edifícios construídos no mesmo período ao longo da margem esquerda do rio Minho e outras oriundas do românico afirmado no eixo entre Braga e Rates.
Personalidades Históricas
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Afonso Sanches (1288-1329)
Filho bastardo (depois legitimado) de D. Dinis e de Aldonsa Rodrigues Telha. Deve-se a ele a fundação do Mosteiro de Santa Clara, em Vila do Conde, onde juntamente com sua esposa, D. Teresa Martins, estão sepultados.

Afonso Sanches seria o filho preferido do monarca português, tendo-lhe mesmo atribuído o cargo de mordomo da coroa. Segundo reza a história, D. Dinis pretendeu ir mais longe ao tentar deixar em testamento o reino português a este filho, em detrimento do legítimo herdeiro do trono, o infante D. Afonso.

A reação deste último contra seu pai foi violenta, tendo esta questão ficada resolvida com a intervenção da rainha santa Isabel e o exílio de Afonso Sanches em Castela.
Cronologia
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1220 - O abade Mendo Dias e outras testemunhas afirmaram perante os inquiridores que a Igreja de Fervença não era do padroado régio;

1258 - Fernando Pais testemunhou perante os inquiridores régios que sabia de certas irregularidades sobre a posse da Igreja;

1320 - O Catálogo das Igrejas taxadas para auxiliar na Cruzada refere Fervença como do padroado de Santa Clara de Vila do Conde, tendo contribuído com 80 libras;

Século XVI - É referida como Sam Sallvador dAbadesa de Fervença, com 70 moradores;

1706 - Referida como vigararia que rendia 120 mil réis;

1758 - A paróquia de Fervença tinha 338 fogos e 995 pessoas;

1970 - Reconstrução da nave da Igreja;

2010 - Integração da Igreja do Salvador de Fervença na Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Igreja de raiz românica, de uma só nave, de cujo período e estilo subsistem, apenas, a capela-mor retangular, composta por dois tramos e as cruzes terminais das empenas da parede fundeira da abside e da fachada principal.

No exterior é possível observar os contrafortes que sustentam a carga provocada pela abóbada de berço, já quebrada, da cabeceira. Na parede fundeira, é visível uma estreita fresta, ao gosto românico. Ainda na cabeceira, nos alçados laterais, as cornijas são sustentadas por cachorros com decoração geométrica dos quais destacamos um pipo, rolos ou uma composição feita com volutas.

A nave atual resulta da reconstrução realizada na década de 70 do século XX e que poderá ter aproveitado parte da primitiva nave românica. Neste espaço, a preponderância foi dada aos vãos de iluminação.

No lado norte, adossada à fachada principal, temos uma torre sineira, objeto de intervenção no século XX, tendo em conta o betão armado do seu coroamento.

No seu interior destacamos a capela-mor abobadada, cuja ornamentação mostra uma qualidade plástica fora do comum para a região: os capitéis do arco triunfal decorados com motivos vegetalistas e fitomórficos e que encontram paralelo na Igreja de São Pedro de Ferreira (Paços de Ferreira); o azulejo tipo tapete que forma rodapé em toda a nave, sendo recriação de uma tipologia característica do século XVII e, por fim, a composição relativa à Ascensão de Cristo colocada sobre o arco triunfal, numa clara alusão ao orago da Igreja.
Recuperação e Valorização
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Da sua estrutura medieval, a Igreja de Fervença conserva, nos dias de hoje, unicamente a cabeceira, tendo o restante corpo sofrido alterações durante as épocas moderna e contemporânea.

Uma análise do paramento exterior do lado norte da nave mostra-nos a presença de silhares de diferente talhe, cuja transição parece ser denunciada por uma cicatriz que se forma junto ao grande janelão retangular e que poderá ser fruto de uma possível remodelação executada no século XVIII.

Já na década de 70 do século XX, a Igreja foi objeto de profundas obras, visíveis, especialmente, na reconstrução da nave primitiva, que lhe deram um visual mais contemporâneo.

Galeria
Saber mais
Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - Arquitectura românica de Entre Douro e Minho. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1978. Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - História da arte em Portugal: o românico. Lisboa: Publicações Alfa, 1986.

ALMEIDA, Fortunato; PERES, Damião, dir. - História da Igreja em Portugal. Porto: Livaria Civilização, 1971.

BOTELHO, Maria Leonor; RESENDE, Nuno - Igreja do salvador de Fervença: Celorico de Basto. In ROSAS, Lúcia, coord. cient. - Rota do Românico. Lousada: Centro de Estudos do Românico e do Território, 2014. Vol. 1, p. 231-242.

BOTELHO, Maria Leonor - A historiografia da arquitectura da época românica em Portugal. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto,  2010. Tese de doutoramento em história da arte portuguesa apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2010. Texto policopiado.

COSTA, A. Carvalho da - Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal... Lisboa: Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1706.

CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra - Memórias ressuscitadas da província de Entre-Douro-e-Minho no ano de 1726. Ponte de Lima: Carval

LOPES, Eduardo Teixeira - A terra de Celorico de Basto na Idade Média: inquirições régias. [S.l.: edição de autor], 2008.

LOPES, Eduardo Teixeira - O século XVIII nas freguesias do concelho de Celorico de Basto: memórias paroquiais. Celorico de Basto: [edição do autor], 2005.

NIZA, Paulo Dias de - Portugal sacro-profano... Lisboa: na Officina de Miguel Manescal da Costa, 1767.

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso - A escultura românica das igrejas da margem esquerda do Rio Minho. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto,  1987.

SAMPAIO, Jorge D., coord. - Carta arqueológica do concelho de Celorico de Basto: inventário: volume I. Abril de 2005.

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