Informação Geral
Igreja do Salvador de Real  
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  • Nome: Igreja do Salvador de Real
  • Tipologia: Igreja
  • Classificação: Em vias de classificação
  • Concelho: Amarante
  • Dia do Orago: Divino Salvador - 6 de agosto 
  • Horário da Visita: Por marcação   
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488   
  • Fax: 255 810 709   
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt    
  • Web: www.rotadoromanico.com   
  • Localização:
    Rua da Igreja Velha, freguesia de Vila Meã, concelho de Amarante, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Saia para o Marco de Canaveses. Rume a Vila Meã, seguindo a sinalização do Mosteiro de Travanca e depois a da Igreja de Real.

     

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real) e saia para Felgueiras (A11). Logo a seguir, saia para Vila Meã. Siga a sinalização do Mosteiro de Travanca.

     

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP (Vila Real). Escolha depois a A4 (Vila Real) e saia para Felgueiras (A11). Logo a seguir, saia para Vila Meã e siga a sinalização do Mosteiro de Travanca.

     

    Se já se encontra na cidade de Amarante, tome a estrada N15 na direção de Felgueiras. Logo após os semáforos junto aos Bombeiros Voluntários, vire à esquerda, seguindo a sinalização da Rota do Românico.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 15' 22.52" N / 8° 9' 42.23" O 
História
História
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Igreja de Real (Fotografia: © SIPA – IHRU)A Igreja do Salvador situa-se na freguesia de Real, no extremo sudoeste do concelho de Amarante. Nas inquirições de 1258, a freguesia encontra-se designada por São Salvador que, sendo o orago, era por estes tempos o nome da localidade.

Existia, porém, o lugar de Rial. De esclarecer que, no caso desta freguesia, a designação de Real não provém, como à primeira vista possa parecer, de um termo ligado à realeza, derivando sim de rial, conjunto de várias nascentes, uma derivação de rigu.

A topografia e a localização da Igreja do Salvador comprovam-no: a freguesia está enquadrada num vale muito estreito, formado a nordeste por cumes ou cabeços e a Igreja encontra-se edificada numa pequena chã da encosta, em local isolado e ladeada por linhas de água.

Pouco chegou até nós sobre a história desta Igreja dedicada ao Salvador. Segundo as Inquirições de 1220, onze dos casais desta freguesia pertenciam a esta Igreja e os restantes aos Mosteiros de Mancelos, Travanca, Bustelo e à Igreja de Vila Cova.

Construída no primeiro quartel do século XIV e com alterações significativas na Época Moderna, este imóvel poder-se-á inserir no intitulado românico tardio.

No século XVIII, este espaço de culto estava devidamente embelezado e arranjado, transparecendo do elogio feito ao padre da freguesia pelo Visitador de 1760, quando refere o zelo colocado no arranjo da igreja.

Com a construção da nova igreja paroquial, em 1938, a Igreja do Salvador de Real cai no esquecimento coletivo, ressuscitando da deslembrança em finais da década de 80.
Cronologia
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Século XIV - Edificação da Igreja de Real;

1726 - Não tinha sacrário e era seu abade Tomás Pereira do Lago;

Século XVIII (meados) - Grandes campanhas de obras alteram a fábrica medieval;

1768 - Era do padroado alternativo entre a Mitra de Braga e o Mosteiro de Travanca;

1864 - Encontrava-se em bom estado de conservação;

1938 - Construção de nova igreja paroquial;

2010 - Integração da Igreja do Salvador de Real na Rota do Românico;

2015 - Conservação geral da Igreja de Real ao nível das coberturas, paramentos, vãos exteriores e tetos,  no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Edificada no primeiro quartel do século XIV, a Igreja do Salvador de Real poucos testemunhos nos deixou desses tempos em que, apesar de já se anunciar a arte gótica, ainda se utilizava soluções românicas na construção de espaços religiosos.

Planta da Igreja de Real

O portal é disso testemunha: apresenta-se sem tímpano, as colunas são encabeçadas por capitéis com escultura pouco volumosa e presa ao cesto e as duas arquivoltas que lhe dão corpo, além de serem quebradas, são toreadas. Os motivos decorativos nos capitéis centram-se nas temáticas fitomórficas, vegetalistas e numa máscara na esquina de um dos capitéis. De notar que este esquema decorativo é muito semelhante à igreja vizinha de Mancelos.

Fachada principal da Igreja de Real

Dos tempos da fábrica românica persistem ainda, na fachada lateral sul, um arcossólio com sarcófago, cuja tampa ostenta uma espada gravada, o que denuncia o estatuto social de quem aí se fez enterrar e, no maciço pétreo perpendicular ao cunhal sudeste da cabeceira, a ele adossado, uma torre sineira de claro sabor românico.

Fachada sul da Igreja de Real

Fachada norte da Igreja de RealMas, acima de tudo, é o século XVIII que se perceciona atualmente na Igreja, evidente na abertura de vãos de iluminação na nave e capela-mor, no desenho das três cruzes que se alinham nas empenas e nos fogaréus terminais dos cunhais da nave.

Já no interior e assentando diretamente sobre os pés direitos do muro, o arco triunfal forma-se de duas arquivoltas quebradas.

De notar o caráter despojado desta Igreja acentuado pelo revestimento a estuque que a cobre na sua totalidade, fazendo sobressair, ao modo do jogo de claro-escuro, as cruzes de sagração, românicas, patadas e inscritas em círculo.

A construção de uma nova igreja paroquial na década de 1930 e a transferência para o novo espaço do retábulo-mor que pertencia a este templo é outra das razões para o seu caráter despido.

Apesar do estuque cobrir a totalidade do seu interior, nos inícios da década de 50, do século XX, testemunhos referem a existência de uma pintura representando Cristo a ser batizado pelo seu primo São João no rio Jordão. Esta pintura servia de fundo ao batistério, à entrada da Igreja, do lado esquerdo, sendo datável do século XVIII ou inícios do século XIX.

Ainda da época românica parece ser a pia batismal, cuja taça circular de granito, bem ao gosto desse estilo artístico, assenta sobre um pé cilíndrico e este sobre um plinto cúbico.
Recuperação e Valorização
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Recuperação e Valorização da Igreja de Real (Fotografia: © SIPA – IHRU)Com a edificação da nova igreja paroquial, em 1938, a Igreja do Salvador de Real foi paulatinamente abandonada, ficando à mercê da lapidação do tempo e dos interesses particulares.

Esta situação perdurou até finais da década de 1980 quando se realizaram obras por iniciativa da Comissão Fabriqueira. Durante esta campanha foram refeitos os beirados da nave, o telhado da capela-mor e da sacristia.

Com a integração da Igreja na Rota do Românico, a Igreja de Real foi alvo, em 2015, de trabalhos de conservação geral, designadamente ao nível das coberturas, paramentos, vãos exteriores e tetos.
Galeria
  • +Igreja de Real. Nave.

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  • +Igreja de Real. Capela-mor. Imagem de Santo António.

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  • +Igreja de Real. Nave.

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  • +Igreja de Real. Capela-mor.

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  • +Igreja do Salvador de Real (1963) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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  • +Igreja do Salvador de Real (1985) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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  • +Igreja do Salvador de Real (1985) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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  • +Igreja de Real. Fachada ocidental. Capitel do portal ocidental.

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  • +Igreja de Real. Fachada ocidental. Detalhe do portal ocidental.

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  • +Igreja de Real. Fachada ocidental. Capitel do portal ocidental.

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  • +Igreja de Real. Fachadas ocidental e sul.

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  • +Igreja de Real. Fachada sul.

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  • +Igreja de Real. Detalhe da fachada oriental.

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  • +Igreja de Real. Fachada sul.

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  • +Igreja de Real. Fachada sul. Túmulo.

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Saber mais
Bibliografia

ARQUIVO DISTRITAL DE BRAGA (ADB). Devassas, Sousa & Ferreira, 2.ª parte, n.º 123, fl. 6.

BOTELHO, Maria Leonor; RESENDE, Nuno - Igreja do salvador de Real: Amarante. In ROSAS, Lúcia, coord. cient. – Rota do Românico. Lousada: Centro de Estudos do Românico e do Território, 2014. Vol. 1, p. 411-422.

COSTA, A.Carvalho da - Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal... Lisboa: Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1706.

CRAESBEECK, Francisco Xavier da Serra - Memórias ressuscitadas da província de Entre-Douro-e-Minho no ano de 1726. Ponte de Lima: Carvalhos de Basto, 1992.

GARCIA, João [Barbosa]; CUNHA, Manoel Teixeira da; PINTO, Francisco - Real [Memória Paroquial]. 1758. Vol. 31, memória 78, fls. 445-448 apud CAPELA, José Viriato; MATOS, Henrique; BORRALHEIRO, Rogério - As freguesias do distrito do Porto nas memórias paroquiais de 1758: memórias, história e património. Braga: José Viriato Capela, 2009.

MALHEIRO, Miguel, coord. geral - Igreja de Real. Porto, Amarante, Real. Projecto de Arquitetura para a conservação, salvaguarda e valorização do imóvel: projeto de execução. Janeiro de 2012. Texto policopiado.

MATTOS, Armando de - Pinturas murais. Douro-Litoral. N.º 5-6  (1953) 24-32.

NIZA, Paulo Dias de - Portugal sacro-profano... Lisboa: na Officina de Miguel Manescal da Costa, 1768.

PORTUGAL. Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território - IRHU/Arquivo ex-DGEMN/DREMN 2494/10.

PORTUGAL. Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território - Caixa 3216/3. Correspondência Igrejas do Concelho de Amarante. 1864-1867.

PORTUGAL. Ministério das Finanças – Secretaria-geral - Arquivo. Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, Porto, Amarante, Arrolamentos dos Bens Cultuais, freguesia de Real, Liv. 67, fl. 126-129v. ACMF/Arquivo/CJBC/PTO/AMA/ARROL/032.

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