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Mosteiro de São Martinho de Mancelos  
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  • Nome: Mosteiro de São Martinho de Mancelos
  • Tipologia: Mosteiro
  • Classificação: Imóvel de Interesse Público, pelo Dec. N.º 24 347, DG, 1.ª série, n.º 188 de 11 agosto 1934 / ZEP, Portaria n.º 332/79, DR, 1.ª série, n.º 156, de 9 de julho de 1979
  • Concelho: Amarante
  • Dia do Orago: São Martinho - 11 de novembro 
  • Horário do Culto: Domingo - 07h (ver./inv.) e 09h45 (inv.); sábado - 20h30 (ver.) 
  • Horário da Visita: Por marcação   
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488   
  • Fax: 255 810 709   
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com   
  • Localização:
    Lugar do Mosteiro, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, distrito do Porto.
  • Como Chegar:
    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Saia para o Marco de Canaveses e depois rume a Vila Meã (Mosteiro de Travanca). Em Vila Meã continue para Mancelos / Amarante.

     

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real) e saia para o Marco de Canaveses. Siga para Vila Meã (Mosteiro de Travanca). Em Vila Meã continue para Mancelos / Amarante.

     

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP (Vila Real). Escolha depois a A4 (Vila Real) e saia para o Marco de Canaveses. Siga para Vila Meã (Mosteiro de Travanca). Em Vila Meã continue para Mancelos / Amarante.

     

    Se já se encontra na cidade de Amarante, tome a estrada N15 na direção de Felgueiras. Siga a sinalização do Mosteiro de Mancelos.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 16' 29.61" N / 8° 9' 26.08" O 
História
História
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Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)O Mosteiro de Mancelos ergue-se nas proximidades de Amarante e nos limites da diocese do Porto, num lugar onde ainda hoje prevalece a agricultura como principal atividade. Desde sempre, e particularmente na Idade Média, que os mosteiros se mostraram muito atraídos pelos férteis terrenos agrícolas, daí advindo a sua principal subsistência. E estes, tanto melhores se mostravam se permitissem a prática da pastorícia e se, nas suas proximidades, possuíssem bosques para o fornecimento da tão fundamental madeira.

Conforme dados da Bula de Calisto II (p. 1119-1124), este cenóbio já existia pelo menos em 1120, pelo que a sua fundação é, com certeza, anterior, coincidindo com o período de vida de Garcia Afonso e Elvira Mendes, primeiros da linhagem dos Portocarreiros.

Foi aos descendentes destes, nomeadamente aos Fonsecas, que Mancelos passou como padroado e espaço eclesial familiar, verdadeiro paradigma das igrejas próprias. Efetivamente no século XIV são em número impressionante os familiares deste Mosteiro, que nele reclamavam direitos.

Este Mosteiro acaba por ser assim, um bom testemunho das estratégias privadas de fundação de estruturas monásticas, mais preocupadas com o domínio territorial do que com a criação de polos difusores de evangelização, daí que a cronística dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho desconheça em quase absoluto a história da fundação desta casa monástica.

Em 1540 D. João III doou Mancelos aos religiosos de São Gonçalo de Amarante, o que o papa Paulo III (p. 1534-1549) confirmou dois anos mais tarde. Mancelos tornar-se-á a partir de então um polo da ação administrativa e evangelizadora dos Pregadores amarantinos, tornando-se um dos complexos monásticos mais importantes daquela Ordem, em Portugal.

Hoje, Mancelos destaca-se pela variedade de estruturas que lhe dão corpo, desde a galilé ladeada por torre isenta, passando pela área do antigo claustro e, como não poderia deixar de ser, a sua interessante Igreja.

Embora tenha sofrido diversas transformações ao longo dos séculos, a Igreja conserva significativas parcelas da época românica. A existência de uma inscrição gravada num silhar avulso, que ainda hoje se conserva no espaço onde outrora se erguia o claustro, junto da sacristia, remete-nos para o ano de 1166 (Era 1204).

Apesar desta inscrição nada nos indicar sobre a natureza do evento comemorado, além de que se encontra descontextualizada, a verdade é que a sua qualidade epigráfica leva a crer que reporte a um qualquer momento importante da história do Mosteiro, porventura a sagração ou a dedicação da obra românica. Não nos podemos esquecer que o Mosteiro já estava datado em 1120.

No interior, apenas o arco triunfal permanece como elemento remanescente da época românica, apesar de os seus capitéis se mostrarem hoje picados, pois a época moderna sobrepôs-lhes elementos entalhados que as intervenções de restauro do século XX removeram. As arquivoltas não têm qualquer decoração e a imposta é idêntica à do portal principal.

Da campanha barroca resta apenas o retábulo-mor joanino e que ocupa toda a parede fundeira da abside. Entre as colunas, quatro mísulas com as imagens do padroeiro (São Martinho de Tours), de São Francisco de Assis e dos santos dominicanos, São Domingos de Gusmão e São Gonçalo de Amarante. São esculturas datáveis entre a segunda metade do século XVII e a segunda metade do século XVIII.

Na nave, dois altares colaterais e um lateral albergam devoções contemporâneas representadas por modernas imagens: Virgem do Rosário de Fátima, Sagrado Coração de Jesus e Virgem das Dores.

A pintura assume um importante papel em Mancelos devido ao grande acervo disperso pelo espaço eclesial. Das cinco pinturas sobre madeira de castanho, destacamos o mártir São Sebastião, desnudo e sagitado; a Virgem do Rosário envolta numa orla amendoada formada por rosas, com o Menino ao colo; São Martinho em cátedra e a representação de frei Bartolomeu dos Mártires, cuja biografia nos informa ter estado particularmente ligado à edificação do convento de São Gonçalo para o qual contribuíram os réditos de Mancelos.

Há, ainda, uma em tela de linho e que parece retratar a cena do milagre vulgarmente designado como São Domingos é servido à mesa por anjos, adotando como modelo para a composição a cena da Última Ceia, acentuando o papel que Domingos procurou assumir ao longo da sua vida como imitador de Cristo.
Personalidades Históricas
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Portocarreiro, Família
A antiguidade e a linhagem dos Portocarreiro permitem a distinção desta família, com estatuto de Cavaleiros, que em muito contribuiu para o desenvolvimento do território, tendo inclusivamente conferido o seu nome a um extinto concelho, hoje integrado no do Marco de Canaveses.

Apesar de pertencer a uma linhagem secundária obteve um importante destaque, designadamente no fim do reinado de D. Sancho II, altura em que se verifica o seu estabelecimento com alguns meios da corte. Contudo, a ascensão dos Portocarreiro não se verificou como noutras linhagens equiparadas, tendo sido afastados dos assuntos políticos aquando da entronização de D. Afonso III, justificando-se, assim, a opção de alguns elementos de se estabelecerem no Reino de Castela, onde se demarcam com notáveis trajetórias.

Com base na reconstituição genealógica proposta por Sotomayor-Pizarro, verifica-se que, apesar de os nobiliários medievais apontarem o indivíduo mais antigo da linhagem como sendo Garcia Afonso, casado com Elvira Mendes, apenas se reconhece documentação com a geração seguinte, na ilustre figura de Raimundo Garcia, que se destaca pela sua ação enquanto confirmante de diplomas régios, entre 1129 e 1152, e pelo seu casamento com Gontinha Nunes Vida, filha de um alferes do Conde D. Henrique.

Raimundo Garcia surge na posse do couto de Portocarreiro, a partir do qual estende os seus domínios até aos julgados mais próximos, como os de Santa Cruz de Riba Tâmega, de Baião, de Felgueiras, de Penafiel ou de Aguiar de Sousa.

Realce também para o registo de D. Raimundo nos livros de linhagens como “o que deu grand’algo a Mancelos”.

Das quatro filhas de Raimundo Garcia, segue na posse do couto e honra de Portocarreiro Ouroana Raimundes, avó de célebres figuras, das quais se destacam:
- João Viegas Portocarreiro, que seguiu a carreira eclesiástica, ocupando o cargo de arcebispo de Braga entre 1245 e 1251;
- Gomes Viegas de Portocarreiro, que esteve presente na corte de D. Afonso III, entre 1251 e 1252, enquanto conselheiro régio, tendo realizado, em 1257, uma doação ao Mosteiro de Paço de Sousa, em Penafiel;
- Raimundo Viegas de Portocarreiro, que se revela pelo famoso episódio, ocorrido no paço real de Coimbra, do célebre rapto da Rainha D. Mécia, mulher de D. Sancho II, sobre o qual o conde D. Pedro de Barcelos faz o relato deste episódio, que segundo José Mattoso ocorreu no verão de 1246: “este Reimom Veegas de Portocarreiro, […] seendo vassalo d’el rei dom Sancho Capelo, e seu natural de Portugal, veo ua noite a Coimbra com companhas de Martim Gil de Soverosa, o que venceo a lide do Porto, u el rei jazia dormindo em sua cama, e filharom-lhe a rainha Dona Mícia, sa molher d’a par dele e levarom-na pera Ourém sem seu mandado e sem sa vontade. E quando o el rei soube, lançou em pos eles, e nom os pode alcançar salvo em Ourém, que era entom mui forte, e tinha-o a rainha Dona Mícia suso dicta em arras. E chegou el rei i disse-lhe que lhe abrissem as portas, ca era el rei dom Sancho, u ele levava seu preponto vestido de seus sinaes e seu escudo e seu pendom ante si. E deromlhe mui grandes seetadas e mui grandes pedradas no seu escudo e no seu pendão e assi houve ende a tornar.”;
- Gonçalo Anes de Portocarreiro, cavaleiro de linhagem, criado como seu pai na freguesia de S. Pedro de Abragão, no julgado de Portocarreiro. Em 1240, juntamente com seu irmão Pero Anes, participa nas conquistas de Ayamonte e de Cacela, surgindo como testemunha da doação destas praças à Ordem de Santiago. Destaca-se pela sua fidelidade a D. Sancho II, acompanhando-o no exílio, e surge como testemunha no testamento do monarca, realizado em Toledo em 1248.

Dos cargos dos elementos desta família dos Portocarreiro é também de referir que passaram pela carreira eclesiástica, de um modo geral eles pela arquidiocese de Braga e elas pelo Mosteiro de Arouca. Salienta-se ainda de se registarem alguns trovadores medievais, como Pero Gonçalves de Portocarreiro e Estevão Raimundo.

Das últimas referências medievais desta linhagem surge Martim Fernandes de Portocarreiro, casado com Inês Fernandes, com quem recebeu, em 1339, as comedorias no Mosteiro de Mancelos, atestando a ligação desta família com este monumento hoje integrado na Rota do Românico.
Cronologia
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1120 - O Mosteiro de Mancelos já existia como casa de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho;

1129-1152 - Documentado entre estas datas, D. Raimundo Garcia, da linhagem dos Portocarreiros, terá feito uma doação a Mancelos;

Séculos XIII-XIV - Cronologia atribuível aos vestígios românicos remanescentes;

Século XIV - Mancelos era comenda do arcebispo de Braga;

1320 - A Igreja de Mancelos foi taxada em 600 libras para apoio das Cruzadas;

1540 - Doação da Igreja de Mancelos, por D. João III, ao Convento de Amarante, da Ordem dos Pregadores;

1542 - O papa Paulo III confirma a doação feita por D. João III;

Séculos XVII-XVIII - Registam-se intervenções no património integrado e móvel da Igreja de Mancelos, nomeadamente conceção do retábulo-mor e respetiva imaginária;

1864 - O pároco de Mancelos, Joaquim Lopes Carvalho, considerou deplorável o estado do edifício;

1934 - A Igreja de Mancelos é classificada como Imóvel de Interesse Público;

Anos 60 - Deu-se início aos trabalhos de restauro;

1979 - É definida uma Zona Especial de Proteção em torno do conjunto monástico de Mancelos;

1979-1985 - Obras de conservação a cargo da Comissão Fabriqueira de Mancelos;

2010 - Integração do Mosteiro de São Martinho de Mancelos na Rota do Românico;

2015 - Trabalhos de conservação e restauro do retábulo-mor e das pinturas de cavalete, no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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A Igreja de Mancelos apresenta um desenvolvimento planimétrico longitudinal, definido por uma considerável diferenciação de volumes, onde se destaca a nave retangular, mais alta que a capela-mor e a galilé, estas últimas com planimetria quadrangular.

Quebrando de forma evidente este desenvolvimento longitudinal, a torre sineira, que se adossa à galilé, pelo lado sul, assumindo-se como um elemento vertical, destacando-se na paisagem envolvente.

Planta do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)Em primeiro lugar, este conjunto monumental diferencia-se pelo facto de integrar esta volumosa torre, mas também e fundamentalmente porque conserva a galilé fronteira à fachada principal, abrigando assim o portal.

A galilé apresenta-se como um corpo extremamente simples, rasgada por um arco com ligeira quebra que permite o acesso ao interior e cuja empena é interrompida por um nicho que em tempos terá abrigado uma imagem.

Tendo em conta a diferença de alturas existente entre a galilé e a fachada da Igreja é possível visualizar a empena desta última. Aqui deslumbramos o mesmo jogo de merlões que ornam a galilé (e que recordam o recorte dos modilhões de proa góticos), assim como a existência de uma estreita fresta, que permite a iluminação do interior da nave. No remate angular da empena, uma cruz terminal de estilo barroco.

O portal principal da Igreja com as suas quatro arquivoltas, ligeiramente quebradas, que repousam sobre elegantes capitéis onde a escultura, de fino desenho, se prende bastante ao cesto, aspeto denunciador do gótico que se aproxima.

Partindo do modelo criado pelas volutas dos capitéis coríntios e motivos vegetalistas, pouco relevados, que criam uma certa homogeneidade ao conjunto, apesar das diferenças compositivas existentes entre os vários capitéis. Elaboradas impostas, com elementos boleados cuja monumentalidade é reforçada pelos toros diédricos das arquivoltas.

O arco envolvente mostra-nos uma modinatura decorada com motivos geométricos encadeados. O tímpano liso é sustentado por duas mísulas onde foram esculpidas duas figuras, ao modo de atlantes, uma feminina, outra masculina.

Adossada à galilé, a torre ostenta orgulhosamente o seu aparelho de corte medieval composto por silhares de diversas dimensões. É rematada por uma dupla sineira na fachada principal, assente sobre cornija e que denuncia uma linguagem classicizante, fruto de uma intervenção realizada entre os séculos XVII e XVIII.

Nos alçados laterais e no posterior, um conjunto de merlões de perfil piramidal alude ao caráter militar que se quis associar a este tipo de construções. Acede-se ao interior da torre por um portal de volta perfeita, cortado por um lintel que, no seu eixo, possui uma estreita fresta e uma janela retangular.

Fachada principal e fachada sul do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)



Fachada oriental e fachada norte do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)

No que respeita à Igreja, o seu aparelho mostra-se irregular, sendo que os seus silhares apresentam diversas dimensões. Nalguns deles identificam-se siglas, elemento denunciador do caráter tardio da fábrica de Mancelos.

Além dos trechos de paramentos românicos ainda visíveis nos alçados laterais, destaca-se desde logo uma cachorrada lisa, cuja forma é característica da dos modilhões cerrados de traves de madeira.

Em ambos os alçados foram rasgados, nos paramentos românicos, dois janelões retangulares, caracteristicamente modernos, para melhor iluminação do espaço interior da nave. No lado sul, a meia altura da nave, uma série de modilhões acusa ter existido uma estrutura alpendrada. Também aqui uma porta de lintel reto permite o acesso ao interior da nave.

Não nos podemos esquecer que é deste lado que em tempos existiu um claustro. É, pois, por essa razão que devemos entender a localização do arcossólio que guarda a arca sepulcral e que se rasga ao nível do pavimento.

Em 1944, Armando de Mattos referiu-se pela primeira vez a este túmulo, com representação zoomórfica. O autor do Guia de Portugal alude aos três curiosos símbolos que surgem ao lado de um medalhão figurativo: uma cruz e dois ginetes. Por seu turno, Mário Barroca integrou este sarcófago na família daqueles que têm motivos singelos.

Também na torre se rasgou um arco de comunicação, de volta perfeita, para permitir o acesso ao claustro. Uma análise da fachada da sacristia mostra-nos a presença de três arcos quebrados, hoje entaipados, que nos permitem adivinhar a adaptação de um espaço de época anterior às novas funções.

Para tal concorre ainda a existência de uma cornija sustentada por cachorrada idêntica à da nave. Um conjunto de modilhões colocados no paramento, sobre o nível imediatamente superior aos arcos, permite-nos confirmar esta tese. Que tipo de dependência seria? Uma anterior sacristia ou até uma sala capitular? Tendo em conta o facto de ser edificada em pedraria seria certamente um dos espaços mais nobres da vida monástica. Qual, não podemos precisar.

A adaptação deste espaço a sacristia terá ocorrido algures durante a Época Moderna conforme indica a forma da vigia, quadrilobada, e do nicho rasgados no arco central. Nos arcos das extremidades foram abertas portas de lintel reto encimadas por óculos circulares. Cremos que esta intervenção é contemporânea da que concebeu a sineira que remata a torre.

No lado norte da nave destacam-se diversas cicatrizes no exterior do paramento, reflexo das várias transformações por que foi passando o edifício.

Encerrada por uma abóbada de berço em madeira, a nave da Igreja de Mancelos é extremamente sóbria, com os seus paramentos a ostentarem o granito, totalmente visível, onde coabitam frestas de evidente sabor românico com amplos janelões característicos da Idade Moderna.

Encimado por uma fresta, o arco triunfal permanece como elemento remanescente da Época Românica. Composto por duas arquivoltas, ligeiramente quebradas, sem qualquer elemento ornamental, mostra, no entanto, os seus capitéis picados. Sobre estes, uma imposta idêntica à do portal principal.

Na nave, junto ao portal, no lado esquerdo de quem entra, a pia batismal, em granito. Não ostenta qualquer elemento decorativo além do anel que delimita superiormente a base que sustenta a taça, protegida por resguardo de madeira.
Recuperação e Valorização
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Em 1945, o então pároco de Mancelos, Joaquim Teixeira Soares Moreira, dirige-se à Direção de Monumentos do Norte no sentido de sensibilizar esta instituição para o avançado estado de degradação em que se achava a Igreja de Mancelos. No sentido de agilizar o processo, o pároco alude à disponibilidade do “povo da freguesia” em fornecer madeira e fazer, gratuitamente, os “carretos dos materiais a aplicar”.

Recuperação e valorização do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)No ano imediato foram apuradas as principais obras a realizar: total apeamento e nova reconstrução dos telhados que cobrem a Igreja e seus anexos, incluindo a armação apropriada, demolição total do coro, considerado impróprio, consolidação de cantaria, incluindo a substituição de algumas pedras, e reconstrução de pavimento, caixilharias e pinturas várias.

No entanto, por falta de dotação, não foram estas obras imediatamente iniciadas, pelo que em 1949 o pároco de Mancelos volta a interpelar o Diretor-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) no sentido de que as obras fossem avante. Mas foi só na transição da década de 1960 para a seguinte que foram iniciados os trabalhos de restauro.

Notamos um cuidado especial posto na compreensão da fachada da sacristia, voltada ao antigo claustro. Foram até feitas sondagens nos seus arcos, tendo-se chegado à conclusão de “ser impossível encontrar-se qualquer solução para restauro desta fachada”. Ponderou-se mesmo abrir os arcos quebrados, hoje ainda entaipados, “apenas agasalhando o aposento interior um alpendre suportado pelos cachorros existentes na fachada e respectivos pilares”.

Recuperação e valorização do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)Além dos trabalhos discriminados em 1946, a maior parte dos quais apenas concretizados entre os anos de 1979 e 1985, destacamos a eliminação da grande sanefa em talha que encimava o arco triunfal. De mencionar que no muro envolvente do mesmo arco ainda são visíveis marcas que testemunham ter estado aí cravado este elemento ornamental em talha.

De recordar, também, os capitéis picados do arco triunfal. Embora as fotografias anteriores a esta intervenção não permitam afirmar com clareza, parece-nos, no entanto, que estes mesmos capitéis tinham apenso um elemento em talha dourada que criava ele próprio um capitel.

Detetamos um especial cuidado posto pela Comissão Fabriqueira de Mancelos no restauro do interior onde deitaram “a cal abaixo nas paredes, para de imediato fazerem o rústico das mesmas”. O coro foi demolido e até então o interior da galilé estava caiado a branco.

A obra, financiada pela própria paróquia, foi feita, por administração direta, pela referida Comissão Fabriqueira, devidamente acompanhada pelos técnicos dos Serviços da DGEMN. Além dos trabalhos já referidos, incluiu ainda o restauro da torre, a beneficiação das coberturas, a remodelação interior da sacristia, o início da instalação elétrica e a beneficiação dos pavimentos da Igreja. A conclusão destes trabalhos só ocorreu em 1988, agora com financiamento estatal.

Recuperação e valorização do Mosteiro de Mancelos (Fotografia: © SIPA – IHRU)Deu-se ainda uma atenção especial à torre sineira que ostentava “ao nível do adarve um campanário de duas ventanas (…) um barraco para abrigo do sineiro, que além de inestético”, constituía então um perigo eminente tendo em conta o grau de apodrecimento dos madeiramentos que lhe davam corpo. Decidiu-se, ainda, construir uma escada no interior da torre tendo como base o nível dos pavimentos primitivos, aproveitando assim “os rasgos das paredes onde deviam ter sido embarbados os travejamentos primitivos”.

Em 2010, o Mosteiro de São Martinho de Mancelos integrou a Rota do Românico. É no seguimento deste novo enquadramento institucional que foi elaborada uma proposta com intuito de se proceder à conservação, salvaguarda e valorização do imóvel.

Em 2015, foram realizados trabalhos de conservação e restauro do retábulo-mor e das pinturas de cavalete, no âmbito da Rota do Românico.

Galeria
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  • +Mosteiro de São Martinho de Mancelos (1982) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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  • +Mosteiro de São Martinho de Mancelos (1954) (Fotografia: © SIPA – IHRU)

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Saber mais
Bibliografia

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