Informação Geral
Mosteiro de São Pedro de Cête 
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  • Nome: Mosteiro de São Pedro de Cête
  • Tipologia: Mosteiro
  • Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 junho de 1910 / ZEP, Portaria n.º 740-CE/2012, DR, 2.ª série, n.º 248, de 24 de dezembro de 2012
  • Concelho: Paredes
  • Dia do Orago: São Pedro - 29 de junho 
  • Horário do Culto: Domingo - 11h00 
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Largo do Mosteiro, freguesia de Cête, concelho de Paredes, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Nesta via saia no nó de Parada/Baltar e depois siga a sinalização do Mosteiro de Cête.

    A partir do Porto opte pela A4 (Vila Real). Saia em Parada/Baltar.

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP. Escolha depois a A4 (Vila Real) e saia em Baltar/Parada.

    Se já se encontra na cidade de Paredes, tome a direção do Porto, através da estrada N15.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 10' 50.790" N / 8° 22' 0.456" O  
História
História
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Mosteiro de São Pedro de CêteA sacralização do solo pelo túmulo de D. Gonçalo Oveques, cuja capela funerária se encontra na torre de São Pedro, poderá estar na origem do Mosteiro de São Pedro de Cête, com documentação a comprovar a sua existência em 924 e, em 985, é possível encontrar referências a uma basílica em honra de São Pedro.

Outros historiadores indicam este nobre como o responsável pela reconstrução do Mosteiro, já que terá vivido no século XI.

A construção hoje existente, no entanto, não corresponde a épocas tão tardias, apresentando vários arranjos góticos, efetuadas no final do século XIII e início do século XIV, conforme inscrição visível na parede norte da capela-mor, junto ao sarcófago do Abade D. Estêvão Anes, falecido a 23 de julho de 1323, responsável pela reforma completa da igreja.

O facto de estas construções monásticas serem, nesta época, alvo de ataques constantes de muçulmanos ou normandos, justifica a existência de fortificações defensivas nas imediações, sendo, neste caso, o Castelo de Vandoma.

Aos patronos, famílias poderosas que efetuaram doações às ordens monásticas, cabia a tarefa de defender os mosteiros, beneficiando dos direitos de “aposentadoria e comedoria”, bem como do direito de serem tumulados no mosteiro.

A implantação deste Mosteiro neste local evidencia a organização do território na época, através das paróquias, e reflete a importância que as ordens religiosas desempenharam na formação e consolidação do reino. A presença de uma igreja garantia a posse e ocupação do território.

Personalidades Históricas
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Abade D. Estêvão Anes
O Abade D. Estevão Anes esteve à frente do Mosteiro de São Pedro de Cête a partir de 1278, vindo a falecer em 1323. É-lhe atribuída grande responsabilidade nas obras de reforma da igreja, permitindo alicerçar a datação gótica deste templo.



D. Gonçalo Oveques 
Imagem do Túmulo de D. Gonçalo OvequesD. Gonçalo Oveques, fundador do Mosteiro de São Pedro de Cête, lutou ao lado de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, amigo de D. Afonso Henriques e responsável por inúmeras e épicas conquistas no campo de batalha.

D. Gonçalo Oveques teve um filho, Diego Gonçalves.







Guterre Mendes
Era filho de D. Mendo Dias e D. Guntinha Guterres e está documentado desde 1072. Casou com Onega Gonçalves, da poderosa família dos senhores de Moreira, e era detentor de um vasto património fundiário na região do Douro Litoral.

Segundo inscrição funerária, terá falecido em 1117, encontrando-se sepultado no Mosteiro de Cête, onde reaproveitou o túmulo de um elemento da sua linhagem, provavelmente com a intenção de reforçar a legitimidade dos seus direitos patrimoniais sobre o Mosteiro de Cête.

Lendas e Curiosidades
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Apesar de o interior corresponder à espacialidade própria do gótico, o Mosteiro de São Pedro de Cête evidencia o aproveitamento que foi efetuado das primeiras fiadas da nave, de características românicas, bem como do portal sul de acesso ao claustro.
 
O Mosteiro assume particular relevância na região, pelo facto de, ao termos uma datação muito concreta das obras realizadas, servir de comparação relativamente aos restantes monumentos. De facto, Cête é o monumento-chave no processo de datação do românico tardio da região.
Cronologia
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Séc. X – Fundação original;

Séc. XI (finais) – Segunda fundação;

Séc. XII (1.º quartel) – Adoção da Regra de São Bento;

Sécs. XIII (finais) e XIV (inícios) – Reedificação da Igreja;

Séc. XVI – Construção ou reconstrução da capela do fundador;

1881-1882 - Obras de restauro, devendo-se a iniciativa à Junta de Paróquia;

1936 – Início da campanha de restauro sob a orientação da DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais;

1948-1953 - Trabalhos diversos;

1966 - Obras de conservação;
 
1967 – Conservação geral, drenagem do claustro e instalação elétrica;
 
1972 – Reparação dos prejuízos causados por um temporal;
 
1976 – Beneficiação dos telhados;

1980 – Reparação do beirado da igreja que confina com a sacristia e o claustro;

1982 – Reparação e conservação do corpo adossado à sacristia;
 
Anos 90 – A Igreja de São Pedro de Cête passa a ser tutelada pelo IPPAR - Instituto Português do Património Arquitetónico;

1998 – Integração do Mosteiro de São Pedro de Cête na Rota do Românico do Vale do Sousa;

2015 – Conservação geral da igreja ao nível das coberturas, paramentos e vãos, e criação de rampa de acesso destinada a pessoas com mobilidade reduzida no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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O Mosteiro de São Pedro de Cête é um exemplar da arquitetura religiosa, românica e gótica, sendo uma igreja monacal, de nave única com planta longitudinal e capela-mor de dois tramos de remate semicircular e frontispício em empena, normalmente considerada como românica, embora classificada por Almeida como gótica, visto resultar de uma reconstrução do séc. XIV.

Planta do Mosteiro de São Pedro de Cête

Da primitiva igreja românica, possivelmente da segunda metade do século XII, conservam-se algumas pedras decoradas, o portal do claustro e a parte inferior dos muros de grande parte da nave. A torre ameada e o possante botaréu que ladeia o pórtico sublinham o caráter defensivo da sua construção.

O arranjo da fachada, a relação entre o comprimento e a largura da igreja, a relação entre o pé-direito da cabeceira e da nave e a escultura dos capitéis e dos cachorros evidenciam o estilo gótico da construção deste mosteiro.

Da construção mais antiga ali existente foram reaproveitadas as primeiras fiadas da nave e, provavelmente, o portal sul que dá acesso ao claustro.

Na campanha de obras realizada nos séculos XIII e XIV a capela-mor foi reerguida, a nave aumentada em altura e em comprimento e a fachada principal completamente remodelada. Pode encontrar-se, nas paredes, uma boa quantidade de siglas, quase todas geométricas.

O alçado da cabeceira possui características próprias do românico, ao empregar arcadas-cegas para ritmar e animar a parede. Os cachorros de proa que seguram a cornija são, no entanto, claramente góticos, tal como a relação de altura entre a nave e a cabeceira é típica deste estilo arquitetónico.

Alçado do Mosteiro de São Pedro de Cête

O portal principal retoma aspetos do românico epigonal, apesar de o portal lateral norte ser identificável com o estilo gótico.

A torre, que abriga a capela funerária de D. Gonçalo Oveques, para além da função sineira, assume o simbolismo de representar uma senhoria, já que na Época Medieval, o abade era, normalmente, um nobre. Perante o seu aspeto robusto e defensivo, não seria, de todo, uma torre destinada a habitação.

Na época manuelina, o Mosteiro sofreu remodelações, nomeadamente o claustro, a Sala do Capítulo, o contraforte da fachada principal de reforço à torre, o arranjo da abóbada da capela funerária e do arcossólio de D. Gonçalo Oveques.

O interior da capela recebeu, ainda, painéis de azulejos policromados, de origem hispano-mourisca, compostos por silhares de padronagem diferenciada: fitomórfica, geometrizante e laçarias.

Os painéis, que recorrem ao azul, ao verde e ao castanho sobre fundo branco, são delimitados por cercaduras de desenho geométrico simplificado.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, no qual foram definidas as linhas diretrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projetos técnicos de execução e respetivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, enunciaram-se as condicionantes consideradas de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

Envolvente do Mosteiro de São Pedro de Cête

O objetivo do Estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Proteção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Procedeu-se, também, à definição das áreas de atuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios e, simultaneamente, corrigir e/ou criar estruturas e infraestruturas de apoio.

O diagnóstico realizado para o Mosteiro de São Pedro de Cête evidencia a necessidade da preservação da envolvente próxima, capaz de garantir a mais adequada integração do monumento.

Importa valorizar o espaço de acesso à igreja, unificando-o e protegendo-o da paisagem e das construções existentes, alargando a intervenção até aos espaços exteriores, à capela mortuária, capela em ruínas e cemitério.

O povoamento de Figueira deverá ser alvo de uma intervenção que colmate a agressão paisagística que, atualmente, constitui.

Galeria
Saber mais
Bibliografia

AFONSO, Luís Urbano de Oliveira – A Pintura mural portuguesa entre o Gótico Internacional e o fim do Renascimento: formas, significados, funções. Lisboa: [s.n.], 2006. Tese de Doutoramento em História da Arte, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 3 Vols.

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ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de – “Geografia da Arquitectura Românica”. In História da Arte em Portugal. Lisboa: [s.n.], 1986. Vol. 3.

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de – História da Arte em Portugal: o Românico. Lisboa: Publicações Alfa, 1986.

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de – "Território paroquial de Entre-Douro-e-Minho: sua sacralização". Nova Renascença. Porto: Associação Cultural "Nova Renascença". Vol. I, nº 2 (1981) p. 202-212.

BARREIRO, José do – Monografia de Paredes. Porto: Tipografia Mendonça, 1922.

BARREIRO, José do – Monografia de Paredes: correcções e acrescentos. Porto: Tipografia Mendonça, 1924.

BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia medieval portuguesa: 862-1422: Corpus Epigráfico Medieval Português. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, 2000. Vol. II, Tomo I.

DGEMN – Monumentos: Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais: número 3. [CD-ROM]. Lisboa: DGEMN, 1998.

DIAS, Pedro – A arquitectura gótica portuguesa. Lisboa: Editorial Estampa, 1994.

FERRAZ, Luiz Barbosa Leão Coelho – Antiguidades, rendimentos, padroados, privilegios e prerogativas do tão antigo como nobre Mosteiro de Cette situado no velho e extincto concelho de Aguiar do Souza hoje no de Paredes. Porto: Typ. de Arthur José de Sousa & Irmão, imp. 1895. 24 p.

MATTOSO, José – O Monaquismo Ibérico e Cluny. Lisboa: Círculo de Leitores, 2002.

ROSAS, Lúcia (coord.) – Românico do Vale do Sousa. Lousada: Comunidade Urbana do Vale do Sousa, 2008.

TOMÉ, Miguel – Património e restauro em Portugal. Porto: Faculdade de Letras da
Universidade do Porto, 1998. Vol. I, II e III.

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