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Torre do Castelo de Aguiar de Sousa 
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  • Nome: Torre do Castelo de Aguiar de Sousa
  • Tipologia: Torre
  • Classificação: Monumento de Interesse Público, pela Portaria n.º 466/2012 de 20 de setembro de 2012.
  • Concelho: Paredes
  • Horário da Visita: Livre 
  • Preço da Entrada: Gratuito 
  • Acesso p/ Deficientes: Em fase de planeamento 
  • Serviços de apoio:
  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Travessa do Castelo, freguesia de Aguiar de Sousa, concelho de Paredes, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim), da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) ou da A4 (Bragança/Matosinhos), siga na direção da A41 CREP / Gondomar. Saia no nó de Aguiar de Sousa da A41, seguindo depois a sinalização da Torre de Aguiar de Sousa.
      
    A partir do Porto opte pela A43 (Gondomar) e depois pela A41 (Felgueiras). Saia em Aguiar de Sousa.

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 CREP. Saia em Aguiar de Sousa.

    Se já se encontra na cidade de Paredes, entre na A4 (Porto), saia para a A41 CREP / Gondomar e depois para Aguiar de Sousa.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 7' 26.054" N / 8° 26' 18.768" O 
História
História
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Torre do Castelo de Aguiar de SousaO Castelo faz parte da história da Reconquista Cristã, tendo sido atacado, em 995, por Almançor.

Liderou uma Terra no processo da reorganização do território, decorrido ao longo do século XI, e um Julgado, no século XIII.

A sua implantação revela as preocupações defensivas empregues na construção, por ser de difícil acesso e rodeado de montes mais altos que lhe retiram visibilidade. Os reis asturianos deram particular atenção ao Castelo de Aguiar de Sousa, que era parte integrante da rede defensiva do território nesta época.

A torre não deveria existir no século XII, embora a construção de torres de menagem no interior das cercas muralhadas seja normal na época românica.

O Julgado de Aguiar de Sousa foi um dos mais poderosos do Entre-Douro-e-Minho, acumulando uma considerável riqueza, sendo delimitado pelos rios Ferreira e Sousa e os afluentes Eiriz e Mesio.

O território deste Julgado estendia-se desde o Porto até às proximidades de Penafiel, incluindo todas as freguesias do atual concelho de Paredes, com a exceção de Recarei, além de mais 42 freguesias dos concelhos limítrofes, conforme o atestam as Inquirições de 1220.

Personalidades Históricas
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Almançor, Abu Amir Muhammad 
Imagem de Almançor, Abu Amir Muhammad
Abu Amir Muhammad Ibn Abdullah Ibn Abi Amir, Al-Hajib Al-Mansur (Torrox, Málaga, 938 – Medinaceli, 8 de agosto de 1002) foi o governador de Al-Andalus, antigo nome árabe da região da Andaluzia, em Espanha, nos finais do século X início do século XI.

Foi califa em nome do legítimo herdeiro, Hixem II, que era ainda muito jovem e inexperiente quando o seu pai, Ali-Hakam II, morreu. O seu governo marcou o auge do império omíada na Península Ibérica.

Entre os seus principais feitos destaque, em 987, para a tomada de Coimbra, que ficou deserta durante sete anos, sendo depois reedificada e ocupada pelos ismaelitas, a tomada de Montemor, a 2 de dezembro de 990, e a tomada do Castelo de Aguiar de Sousa, na província Portucalense. Conquistou e destruiu também o importante reduto cristão de Santiago de Compostela, onde apenas respeitou a sepultura do apóstolo.

Cronologia
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Séc. X – Provável construção do Castelo;

995 – Foi tomado por Almançor;

1220 – Nas Inquirições este território é dominado pelos Sousas e é designada pelo Termo de Ferreira e Termo de Aguiar, sendo o centro administrativo no Castelo de Aguiar de Sousa;

1258 – É criado o Julgado de Aguiar de Sousa;

1411 – Foral de D. João I;

1513 (25 de Novembro) – D. Manuel II atribui o Foral a "Aguyar de Sousa";

1758 – Aguiar de Sousa pertencia à Comarca de Penafiel;

1837 – Aguiar de Sousa é extinto como concelho e integrado no de Paredes;

1999 – A proprietária era a viúva do Sr. Amável Costa;

2004 – Integração da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa na Rota do Românico do Vale do Sousa;

2008 – Obras de conservação e valorização geral do imóvel, no âmbito do projeto da Rota do Românico do Vale do Sousa;

2012 – A Torre do Castelo de Aguiar de Sousa é classificada como Monumento de Interesse Público;

2011-2013 – Trabalhos gerais de manutenção e recalçamento de estruturas; trabalhos de limpeza da vegetação infestante; revisão da iluminação; reabilitação dos acessos à Torre; realização de trabalhos arqueológicos na área envolvente à Torre, no âmbito da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Planta da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Este monumento é um exemplar de arquitetura militar, medieval, estando implantado no que resta de uma antiga estrutura fortificada, assente numa estrutura de planta quadrangular, descentrada em relação à muralha de contorno ovalóide.

 

Planta da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

 

Planta da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Arqueologia
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Foram realizados trabalhos de desmatação da vegetação infestante, identificou-se a área com vestígios arqueológicos ainda visíveis e procedeu-se ao registo e leitura arqueológica do local.

A desmatação permitiu a observação mais clara do imóvel e da sua envolvente, fazendo surgir algumas evidências que auxiliaram a continuidade dos trabalhos.

Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Realizaram-se três sondagens: uma no interior da torre, uma segunda na plataforma superior e uma última na plataforma inferior.

Limparam-se, igualmente, os muros defensivos, revelando uma técnica construtiva que envolveu aparelho regular, de alvenaria de xisto e quartzito, interrompido, pontualmente, por afloramentos rochosos e preenchido, no interior, por pequenos fragmentos de xisto.

Na plataforma inferior, o muro que sustém as respetivas terras prolonga-se para sul, desaparecendo pelos sucessivos desabamentos da plataforma superior, segundo revela o relatório arqueológico.

A sondagem interior, de 120 por 120 centímetros, junto às paredes do vértice nordeste, revelou a seguinte estratigrafia:

Camada 0.0 – Manta morta sob terra solta com raízes e pedras;
Camada 0.1 – Camada de argamassa solta de cor acinzentada;
Camada 0.2 – Terra de cor castanha, com pedras e nódulos de argamassa;
Camada 0.3 – Terra mais fina de cor castanha; estrato rochoso.

A segunda sondagem, na plataforma superior, junto à face interior do muro do lado nordeste, de 200 por 200 centímetros, permitiu encontrar a seguinte estratigrafia:
Camada 0.0 – Camada superficial, terra de tom cinzento-escuro, com muitas raízes, pedras miúdas e areia;
Camada 0.1 – Terra muito preta, com muitas pedras de grande porte;
Camada 0.2 – Terra de tom castanho, com muitas raízes e muitas pedras de pequenas e médias dimensões;
Camada 0.3 – Terra muito preta, homogénea, com muitas pedras de grandes e médias dimensões;
Camada 0.4 – Terra de tom castanho-escuro, homogénea e compacta;
Camada 0.5 – Terra de tom castanho amarelado, barrenta, muito compacta.

A desmontagem de algumas pedras de derrube evidenciou a existência de um muro retilíneo, orientado de sul para norte, sendo apenas visível por uma face, já que a outra se encontra muito destruída.

No muro defensivo ficou provada a existência de uma muralha primitiva, correspondente ao muro mais baixo, identificado pelo exterior, prolongando-se para o interior, numa largura de cerca de 150 centímetros, sobre o qual terá sido construído um outro muro, mais estreito, com cerca de 50 centímetros de largura.

Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

A última sondagem, efetuada do lado norte, junto ao muro da plataforma inferior, revelou uma camada de terra homogénea, de cor muito escura, com muitos fragmentos de barro avermelhado, à mistura com pequenos fragmentos de cerâmica fina, de cor preta. A sondagem ficou incompleta pelo aparecimento de uma bancada quartzítica, a oeste, que diminuiu a área de trabalho.

O trabalho arqueológico inventariou 419 fragmentos de cerâmica doméstica, nomeadamente 41 bordos, 12 fundos, 31 decorados, quatro asas e 331 sem forma. A análise destes fragmentos revelou pastas homogéneas com quartzos de tamanho médio e pequeno, mica branca e preta, perfeitamente visíveis nas superfícies.

A cozedura é, maioritariamente, redutora, com alguns exemplos de cozedura tendencialmente oxidante ou consequência de óxidos de ferro. O acabamento é manual, as superfícies internas são, frequentemente, desprovidas de alisamento e as externas são, na sua maioria, rugosas, defende o referido relatório. A fuligem que surge em vários fragmentos revela a sua utilização sobre o fogo, até porque a maioria serão panelas.

Surgiram, ainda, vários objetos metálicos de ferro, nomeadamente uma faca/foice, um prego, uma ponta de seta e um fragmento de uma eventual haste de ponta de seta.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, no qual foram definidas as linhas diretrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projetos técnicos de execução e respetivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, enunciaram-se as condicionantes consideradas de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

Envolvente da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

O objetivo do Estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Proteção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Procedeu-se, também, à definição das áreas de atuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios e, simultaneamente, corrigir e/ou criar estruturas e infraestruturas de apoio.

A paisagem envolvente deve ser mantida e corrigidas as obras desajustadas, levadas a cabo em algumas correções de cariz vernacular, existentes nas proximidades à Torre.

Junto ao acesso do imóvel deve ser criada uma faixa de estacionamento, ao mesmo tempo que se deve proceder à limpeza e sinalização no local.

O valioso património que os moinhos, atualmente abandonados e em estado de ruína, representam, deve ser alvo de uma operação que lhes restitua o sistema construtivo original.

A envolvente natural nas margens do rio deve ser requalificada, com limpeza e tratamento dos elementos vegetais e substituição das espécies exóticas por espécies vegetais autóctones.

A central hidroelétrica ali existente deverá ser intervencionada, no sentido de requalificar e amenizar o impacto visual exercido na paisagem.

Recuperação e Valorização
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A Torre foi objeto de trabalhos de consolidação, conservação e salvaguarda, que incluíram também a envolvente e respetivos acessos.

Relativamente ao imóvel, os trabalhos envolveram a construção de uma estrutura no seu interior, a funcionar como varandim para a paisagem, permitindo a sua utilização como miradouro.

A superfície dos paramentos e dos muros foi limpa, em todas as faces visíveis, sem a utilização de técnicas abrasivas ou produtos químicos não compatíveis com a pedra existente.

Recuperação da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Seguiu-se a consolidação das estruturas, nomeadamente a escadaria e os muros remanescentes do antigo acesso, utilizando técnicas e materiais idênticos ou compatíveis com o existente. Para o acesso ao topo, foi instalada uma escada metálica.

Nos acessos procurou-se consolidar o muro de suporte que contorna o lado sul do caminho pedonal, procedendo-se à demolição do muro existente na curva e à substituição de um outro muro pelo de suporte.

O troço de acesso automóvel foi construído em xisto ao cutelo, com caimento de dois por cento para o eixo da via, enquanto o troço destinado aos peões foi construído em saibro/solo-cimento.

Recuperação da Torre do Castelo de Aguiar de Sousa

Para a drenagem de águas pluviais foi executado um sistema composto por caixas de visita, câmara de ressalto em betão pré-moldado, grelhas de recolha de águas superficiais e instalação de tubo condutor de águas pluviais, interligando as caixas de visita e a de ressalto, com ligação final à drenagem pública.

Para além da colocação de barreiras de passagem automóvel e da plantação de árvores de espécies autóctones, procedeu-se à iluminação do sítio.

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Saber mais
Bibliografia

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ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de – “Castelos medievais do noroeste de Portugal”. In BALIL, Alberto - Finis Terrae: estudios en lembranza. Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela, 1992.

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BARREIRO, José do – Monografia de Paredes. Porto: Tipografia Mendonça, 1922.

COSTA, Lídia; SILVA, Maria Antónia Torre do Castelo de Aguiar de Sousa. Entre a matéria e o mito. Sobreposições do tempo. Lousada: Centro de Estudos do Românico e do Território, 2012.

MATTOSO, José; KRUS, Luís; BETTENCOURT, Olga – “As Inquirições de 1258 como fonte da história da Nobreza: o Julgado de Aguiar de Sousa”. Revista de História Económica e Social. Lisboa: Sá da Costa. N.º 9 (Jan. - Jun. 1992) p.17-74.

PINTO, M. L. C. – O castelo de Aguiar de Sousa. Porto: [s.n.], 1966.

PINTO, R. – Paredes - Jóia do Sousa, Paços Ferreira: [s.n.], 1996.

ROSAS, Lúcia (coord.) – Românico do Vale do Sousa. Lousada: Comunidade Urbana do Vale do Sousa, 2008.

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