Primeiro dia – 8 monumentos
O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, representa o modo como as ordens religiosas se instalavam nessa época, motivadas pela existência de um curso de água e terras férteis que permitiam a sobrevivência da comunidade monástica. Aprecie a magnífica escultura românica do seu portal principal em granito, bem como a rosácea que ornamenta a fachada. No interior, descubra o retábulo-mor, do século XVIII, esculpido em madeira de castanho dourada.
Siga para a Igreja de São Vicente de Sousa que, no exterior, apresenta duas inscrições de relevância para a sua datação. Uma refere-se a uma inscrição funerária ou comemorativa da construção de um arcossólio, de 1162, e a segunda coloca a Sagração da Igreja a 1214.
Continue para a Igreja do Salvador de Unhão, um dos exemplos mais admiráveis do românico português, na qual poderá apreciar a imagem de Nossa Senhora do Leite, uma escultura em calcário de origem desconhecida.
Um pouco mais à frente encontra a Igreja de Santa Maria de Airães, um interessante exemplar do românico de resistência, cujo portal apresenta semelhanças com outras igrejas da região.
Depois, siga para o concelho de Lousada, diretamente para a Torre de Vilar. Esta construção de tipologia militar destaca-se na paisagem, assumindo a sua importância no contexto da defesa do território.
Sobre o rio Sousa, ergue-se a Ponte de Vilela, sobre o rio Sousa, em cantaria granítica, desenhada em quatro arcos de volta perfeita.
Mais à frente, entre na Igreja de Santa Maria de Meinedo, um edifício de grande prestígio que acolheu, durante o século VI, a sede de um Bispado. No interior, observe a escultura de Nossa Senhora de Meinedo ou Nossa Senhora das Neves, do período gótico, embora a ausência da policromia lhe confira um aspeto arcaico.
Já no concelho de Paços de Ferreira encontra-se o Mosteiro de São Pedro de Ferreira, uma obra de singular arquitetura, com motivos ornamentais provenientes de diversas regiões e oficinas.
Segundo dia – 8 monumentos
Peça fundamental para a datação do românico de resistência no Tâmega e Sousa, o Mosteiro de São Pedro de Cête, em Paredes, foi fundado no século X, apesar de a atual construção corresponder a uma época mais tardia. A capela funerária do seu fundador, D. Gonçalo Oveques, pode ser apreciada no interior da torre.
Uma das principais figuras da região, D. Egas Moniz, descendente de uma das primeiras e mais influentes famílias da nobreza da primeira monarquia portuguesa, os Ribadouro, está sepultado no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel. No seu túmulo é possível admirar as gravações escultóricas da sua lendária viagem a Toledo, na qual ofereceu a sua vida e a da sua família pela falta de cumprimento de palavra do rei D. Afonso Henriques.
Próximo do Mosteiro surpreenda-se com um dos seis exemplares de monumentos de índole funerária conhecidos em Portugal. O Memorial da Ermida terá servido para colocar o túmulo de D. Mafalda, filha de Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, aquando do seu cortejo fúnebre até ao Mosteiro de Arouca.
D. Mafalda terá sido a responsável pela construção da Igreja de São Pedro de Abragão, que ainda mantém a sua bela cabeceira românica.
A tradição indica, igualmente, D. Mafalda como a fundadora da Igreja de São Gens de Boelhe, um belo exemplar do românico rural do Tâmega e Sousa. Detenha-se nos muros, repletos de siglas geométricas e alfabéticas, marcas dos seus autores, e nas palmetas executadas a bisel nos capitéis do portal, exemplares típicos da arquitetura da região.
Mais à frente, ainda em Penafiel, encante-se com a Igreja do Salvador de Cabeça Santa, A arquitetura patenteia a itinerância dos artífices da época, registando influências de outras proveniências.
Do outro lado do rio Douro, em Castelo de Paiva, descubra o Marmoiral de Sobrado, que terá servido para a paragem do cortejo fúnebre de D. Mafalda. Este monumento apresenta uma arquitetura diferente dos restantes memoriais ao não possuir arco.
De regresso a Penafiel, pare em Eja, na Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios. Com um importante papel na época da Reconquista, a atual construção é mais tardia, representando o estilo românico de resistência.