Portugal também nasceu nas margens do Sousa, onde viviam duas das primeiras grandes famílias da nobreza portuguesa da primeira Monarquia: os Sousa/Sousões e os Ribadouro. A Rota do Românico do Vale do Sousa divide-se em dois grandes percursos, o Norte e o Sul. O primeiro inclui os concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, e o segundo abrange Paredes, Penafiel e Castelo de Paiva.
Primeiro dia – 6 monumentos
O Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, representa o modo como as ordens religiosas se instalavam nessa época. Um curso de água e terras férteis permitiam a sobrevivência da comunidade monástica. Aprecie a magnífica escultura românica do seu portal principal em granito, bem como a rosácea que ornamenta a fachada. No interior, descubra o retábulo-mor, do século XVIII, esculpido em madeira de castanho dourada.
Siga para a Igreja de São Vicente de Sousa que, no exterior, apresenta duas inscrições de relevância para a sua datação. Uma refere-se a uma inscrição funerária ou comemorativa da construção de um arcossólio (concavidade que servia para colocar um túmulo), de 1162, e a segunda coloca a sagração da Igreja a 1214.
Continue para a Igreja do Salvador de Unhão, um dos exemplos mais admiráveis do Românico português, na qual poderá apreciar a imagem de Nossa Senhora do Leite, uma escultura em calcário de origem desconhecida.
Um pouco mais à frente encontra a Igreja de Santa Maria de Airães, um interessante exemplar do Românico de Resistência, cujo portal apresenta semelhanças com outras igrejas do Vale do Sousa.
Intimamente ligada ao Mosteiro de Pombeiro, a nossa próxima paragem leva-nos até à Igreja de São Mamede de Vila Verde. Construída à maneira românica, esta Igreja destaca-se pelos vestígios de pintura mural nas paredes da capela-mor. Repare nas figuras de São Bento e São Bernardo, ainda identificáveis.
Antes do dia terminar entramos no concelho de Lousada e chegamos à Torre de Vilar. Esta construção de tipologia militar destaca-se na paisagem, assumindo a sua importância no contexto da defesa do território.
Segundo dia – 5 monumentos
Principie por observar um dos exemplos de Românico de Resistência na região. A Igreja do Salvador de Aveleda apresenta um portal cujo recorte das bases encontra paralelo em outros exemplares do Vale do Sousa.
Nas imediações descubra a Ponte de Vilela, sobre o rio Sousa, em cantaria granítica, desenhada em quatro arcos de volta perfeita, e a Igreja de Santa Maria de Meinedo, um edifício de grande prestígio que acolheu, durante o século VI, a sede de um Bispado. No interior, observe a escultura de Nossa Senhora de Meinedo ou Nossa Senhora das Neves, do período gótico, embora a ausência da policromia lhe confira uma aspecto arcaico.
Segue-se a segunda ponte que integra a Rota do Românico. Ainda em Lousada, a Ponte de Espindo é composta, em oposição à anterior, por apenas um arco de volta perfeita. Está construída, igualmente, em cantaria granítica.
Já no concelho de Paços de Ferreira, encontra-se o Mosteiro de São Pedro de Ferreira, uma obra de singular arquitectura, com motivos ornamentais provenientes de diversas regiões e oficinas.
Terceiro dia – 7 monumentos
Peça fundamental para a datação do Românico de Resistência no Vale do Sousa, o Mosteiro de São Pedro de Cête, em Paredes, foi fundado no século X, apesar da actual construção corresponder a uma época mais tardia. A capela funerária do seu fundador, D. Gonçalo Oveques, pode ser apreciada no interior da torre.
Os interesses agrícolas da população desta região estão na base da construção da Ermida da Nossa Senhora do Vale, um local de romaria colectiva, justificada pela presença do púlpito no exterior. Observe as pinturas de anjos músicos nas paredes da cabeceira.
Uma das principais figuras da região, D. Egas Moniz, descendente de uma das primeiras e mais influentes famílias da nobreza da primeira monarquia portuguesa, os Ribadouro, está sepultado no Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel. No seu túmulo é possível admirar as gravações escultóricas da sua lendária viagem a Toledo, na qual ofereceu a sua vida e a da sua família pela falta de cumprimento de palavra do rei D. Afonso Henriques.
Próximo do Mosteiro espante-se com um dos seis exemplares conhecidos em Portugal de monumentos de índole funerária. O Memorial da Ermida terá servido para colocar o túmulo de D. Mafalda, filha de Sancho I, aquando do seu cortejo fúnebre até ao Mosteiro de Arouca.
D. Mafalda terá sido a responsável pela construção da Igreja de São Pedro de Abragão, que ainda mantém a sua bela cabeceira românica.
A tradição indica, igualmente, D. Mafalda como a fundadora da Igreja de São Gens de Boelhe, um belo exemplar do românico rural do Vale do Sousa. Detenha-se nos muros, repletos de siglas geométricas e alfabéticas, marcas dos seus autores, e nas palmetas executadas a bisel nos capitéis do portal, exemplares típicos da arquitectura da região.
Mais à frente, ainda em Penafiel, encante-se com a Igreja do Salvador de Cabeça Santa, onde se preserva a relíquia de Santo Tirso. A arquitectura patenteia a itinerância dos artífices da época, registando influências de outras proveniências.
Quarto dia – 3 monumentos
Do outro lado do rio Douro, em Castelo de Paiva, descubra o Marmoiral de Sobrado, que terá servido para a paragem do cortejo fúnebre de D. Mafalda. Este monumento apresenta uma arquitectura diferente dos restantes memoriais ao não possuir arco.
De regresso a Penafiel, pare em Eja, na Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios. Fundada e com um importante papel na época da Reconquista, a actual construção é mais tardia, representando o estilo Românico de Resistência.
Finalmente, já no concelho de Paredes, descubra a Torre do Castelo de Aguiar de Sousa, um elemento preponderante na defesa do território aquando da Reconquista, tendo sido atacada pelo mais célebre chefe muçulmano da Península Ibérica, Almançor, em 995. Este chefe empreendeu, a partir de 976, 52 campanhas vitoriosas contra os peninsulares, tendo conquistado Barcelona, Coimbra e Santiago de Compostela, onde destruiu o seu templo.