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Mello, Família

Mello, Família

A família Mello, de Pombeiro, destacou-se na administração do Mosteiro de Pombeiro, no extinto Mosteiro de Ribas e nas abadias cistercienses de Alcobaça e Portalegre, no período dos Abades Comendatários, desde finais do séc. XV até ao séc. XVI.

D. Rodrigo de Mello terá sido o primeiro abade da família dos Mello a exercer funções em Pombeiro, entre aproximadamente os anos de 1476 e 1482.

Pouco se sabe deste abade a não ser que emprazou, a 6 de novembro de 1478, os Casais de Outeiro, Quebrada e do Sovoreiro na freguesia de Vila Verde e cujo prazo foi autorizado pelo Vigário Geral de Braga, sendo que nessa altura já lhe tinha sucedido como abade no mosteiro, o Bispo D. Gomes da Rocha, em março de 1482.

Após um interregno de duas décadas onde outros abades exerceram a comenda em Pombeiro, o próximo Mello comendatário no mosteiro em análise, entre 1503 e 1506, foi D. Jorge de Mello.

Para este, existe pouca informação sobre a sua governação em Pombeiro ao invés das funções que posteriormente ocupou nos mosteiros cistercienses de Alcobaça e Portalegre, a partir de 1505 e 1519 respetivamente.

Segundo Saul António Gomes, no ano seguinte após o início da comenda no Mosteiro de Alcobaça, D. Jorge de Mello, solicitava a intervenção de D. Manuel, com vista a serem tomadas medidas que evitassem a sobrecarga populacional que se fazia sentir em torno dos edifícios e cerca monásticos, situação que era encarada como muito prejudicial ao sossego dos conventuais e ao cumprimento da regra cisterciense que impunha o levantamento dos mosteiros em sítios isolados.

Ainda segundo o mesmo autor, D. Jorge manter-se-á à frente de Alcobaça, até 1519, depois de nela ter recebido o hábito branco de Cister, momento em que a administração da Abadia, desde então sujeita a um regimento definido por D. Manuel I, foi entregue ao Infante D. Afonso.

Mas, antes de abandonar Alcobaça, D. Jorge de Mello funda em 1518, em Portalegre, novo mosteiro de Cister para albergar "donzelas sem dote".

Para além de abade comendatário, este membro da família Mello foi ainda o 33º bispo da Guarda entre 1519 e 1548, data do seu falecimento.

Quem sucedeu a D. Jorge de Mello em Pombeiro, sendo o seu sexto abade comendatário foi D. João de Mello.

O documento mais antigo em que este é referido data de 12 de maio de 1508 e o último de 1 de abril de 1525.

Para além de abade, era fidalgo da Casa Real e também comendatário de Caramos.

Era filho de Vasco Fernandes de Sampaio, alcaide-mor da Torre de Moncorvo, Évora e Castelo de Vide.

Não obstante de ter casado duas vezes, teve várias amantes e um grande número de bastardos, entre eles, D. António de Mello Sampaio que lhe sucedeu em Pombeiro.

Este tornou-se abade por volta de 1526, tendo morrido em 1560.

Teve de sua amante Maria da Fonseca, pelo menos seis filhos. Destes, destacamos D. Maria de Mello que casou com Gonçalo Coelho da Silva, da Casa de Sergude e donatário de Felgueiras e Vieira.

Apesar de os cronistas o considerarem uma pessoa pouco competente para estar à frente do mosteiro, como veremos mais adiante, a sua governação ficou marcada pelo zelo empregue na recuperação de propriedades para o mosteiro, como a quinta de Carapesos em Santa Cristina de Figueiró mas, também, pela contenda de 1558 que teve com seu genro, Gonçalo Coelho, devido à demarcação do Couto de Pombeiro em virtude deste último ter tido autorização para desfrutar, por mais três vidas, dos casais de Caraminhos, na freguesia de Moure, emprazados pelo mosteiro e o seu reconhecimento como senhorio de Pombeiro.

Relativamente a estas duas gerações de comendatários, as diversas crónicas existentes, como a Benedictina Lusitana e as Memórias do Mosteiro de Pombeiro, deixam transparecer que a soberania de D. João e de D. António de Mello era, por vezes, contestado e cobiçado por outros poderes, inclusive de elementos próximos da realeza.

Quanto ao primeiro, e segundo Frei António da Assunção Meireles, parece que tinha poucas competências para gerir a instituição. Como diz o referido cronista, era "notável, e admiravel pela ignorância, em que vivia sobre os negocios do Mosteiro". Esta situação ficou patente quando o rei D. Manuel mandou fiscalizar a jurisdição do Couto de Pombeiro exigindo a apresentação dos títulos de doação.

O abade não apresentou os documentos de doação efetuada por D. Teresa por não saber deles. Resultado: em sentença dos Desembargadores ficou Pombeiro privado da jurisdição do Couto. Mas após "suplicas e choradeiras" junto do monarca português, lá conseguiu resgatar a jurisdição do cível ao Mosteiro, por Carta de 22 de julho de 1521.

Apesar da recuperação da jurisdição, a sua governação ficou manchada como sendo caracterizada pela "ignorancia, e moleza".

Já o seu filho, segundo Paula Bessa, esteve sujeito a vicissitudes a propósito do furto por um frade dominicano de um livro sobre a Vida de S. Gonçalo existente na livraria de Pombeiro, tendo-se pedido a arbitragem do conflito à rainha D. Catarina que, apesar de reconhecer a existência do delito pelo frade dominicano, não decidiu o caso a favor de D. António de Mello.

A mesma investigadora relembra que o sucessor de D. António Mello foi um membro da família real, D. António, Prior do Crato - tal como o sucessor de D. Jorge de Mello em Alcobaça foi o Infante D. Afonso - e que, mais tarde, as igrejas do padroado de Pombeiro em Trás-os-Montes foram anexadas ao mosteiro de Santa Maria de Belém, casa fundada e muito protegida pela família real.

Mas, esta família não determinou só a história do Mosteiro de Pombeiro.

Também governaram, por uma vez, o extinto Mosteiro de Santa Maria de Ribas, em Celorico de Basto, na figura de D. Rodrigo de Mello Pereira. Este era filho de Francisco de Mello e de D. Brites Pereira, sendo neto paterno de D. João de Mello Sampaio.

Foi durante o governo deste abade que, por volta do ano de 1565, se abriu a sepultura do primeiro prior do mosteiro, D. Mendo, e se achou uma parte do seu corpo ainda incorrupto.

Com mais ou menos competência na governação das instituições que governaram, os Mello tornaram-se numa das poucas famílias que souberam, através de várias gerações, exercer o seu poder e influência na condução de instituições religiosas um pouco por todo o país, demonstrando que a compreensão histórica destas instituições não pode ser dissociada da história de família dos Mello de Pombeiro.